Você vai se impressionar com a quantidade de plot twists e outras reviravoltas possíveis ao assistir Sob a Escuridão do Sol, minissérie francesa da Netflix estrelada por Ava Baya. Via de regra, isso não garante que uma novela como essa seja algo necessariamente bom, mas há uma certa chance das pessoas deixarem a crítica de lado e se interessar mesmo assim.
Fugindo de um passado conturbado, uma jovem mãe encontra a chance de recomeçar ao ser contratada por uma renomada fazenda de flores em Provence. Porém, a repentina morte do patriarca da família proprietária transforma seu refúgio em um pesadelo, colocando-a no centro das suspeitas. Em meio às investigações e acusações, ela descobre um segredo inesperado: é herdeira do falecido e possui laços profundos com aquela poderosa família.
Formato não favorece produção repleta de reviravoltas na trama
Minisséries com apenas seis episódios e de origem europeia tem sido uma constante na Netflix e em outros streamings atualmente, devido a dificuldade que se tem para manter a atenção de quem assiste pois a concorrência atingiu níveis altíssimos. Casos como A Reserva (série dinamarquesa) e Ángela (da Espanha), para ficar em exemplos recentes, estão aí para mostrar que com orçamentos modestos é se consegue um ótimo retorno.
O caso da francesa Sob a Escuridão do Sol, por sua vez, acaba expondo como diferencial a extrema pressa do enredo. Poucos episódios para o número de reviravoltas é algo que beira o proibitivo, minando as chances do devido desenvolvimento dos personagens. E o pior é que nem havia necessidade para tanto.
Digo isso pois a protagonista, vivida por Ava Baya, possui certo carisma e motivações para mostrar a que veio – desde o passado misterioso e conturbado, passando pela maternidade/ crise financeira chegando até o drama da nova casa e família na qual ela é inserida.
O viés do suspense, força motriz da coisa toda, é a parte que mais sofre dessa diluição de relevância jogada em tela, podendo inclusive confundir o espectador em muitos motivos (e não por culpa de quem assiste). As reviravoltas são constantes e com vinte minutos de episódio você já fica cansado.

Isabelle Adjani: a dona de Sob a Escuridão do Sol
Se teve alguém que me agradou na série foi a atriz Isabelle Adjani, mantendo sua coroa após boa participação em O Casal Perfeito. Aqui ela vive Beatrice, a viúva do patriarca assassinado no início da novela, fazendo vezes de vilã odiosa digna de meme (dado o teor satírico da produção) até acabar ganhando certa simpatia depois de tantas voltas, culminando numa relação passivo-agressiva com a protagonista.
De um modo geral, para você aproveitar a viagem de Sob a Escuridão do Sol o grande lance é sobreviver aos trinta minutos iniciais. Depois disso, você vai sempre dobrar a aposta para saber até onde os roteiristas ousaram escrever – a partir desse ponto de vista, as chances de decepção são mínimas.
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