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Ángela - minissérie espanhola Netflix ganha crítica e final explicado Ángela - minissérie espanhola Netflix ganha crítica e final explicado

Ángela: violência doméstica e roteiro esquizofrênico

Vivemos para presenciar Ángela, destaque global para uma série na Netflix de origem espanhola que na verdade é remake de uma outra de língua inglesa, Angela Black (2021). Sua temática pesada, trazendo violência doméstica tanto física quanto psicológica é ótima quando pensamos nos debates à mesa, ainda que seja bom deixar o alerta para pessoas sensíveis ao tema.

Na série acompanhamos Ángela (Verónica Sánchez), uma dedicada dona de casa que sente na pele a crescente violência do marido. Sua vida começa ir de mal a pior a partir da chegada de Edu (Jaime Zatarain), um homem extremamente interessado em sua vida, afirmando ser um ex-colega de escola.

Suspense psicológico embala história com buracos

Verónica Sánchez é o grande destaque aqui, tendo traçado um bom caminho no maior streaming do mundo desde a série Sky Rojo. Deixando de lado as falhas da sua protagonista provenientes de mal desenvolvimento do roteiro, ela entrega uma personagem capaz de despertar no espectador a mesma indignação que passamos quando sabemos de casos de mulheres e pensamos (equivocadamente): “por que ela continua se sujeitando a isso?”.

Verónica Sánchez estrela a minissérie Ángela, disponível na Netflix

Quando uma pessoa está claramente numa relação abusiva como a protagonista da minissérie Ángela, é até esperado que muitas das atitudes da vítima não sejam as ideias quando o objetivo principal é (obviamente) a saída da situação tóxica devido a vários fatores como medo da violência tomar maiores proporções, dependência financeira, medo sobre a segurança dos filhos etc.

O mesmo não podemos afirmar sobre os roteiristas de Ángela, que conseguiram pegar uma história já pronta e deixar buracos absurdos como o total esquecimento a respeito de uma suspeita de assassinato levantada logo no início da trama. O corte final, inclusive, não dá conta de encaixar todos os elementos do thriller de modo equilibrado, deixando a sessão de cada episódio muitas vezes enfadonha. Então fica o alerta: mesmo com apenas seis episódios, essa não é uma série tão interessante para assistir de uma vez só.

Do restante do elenco, fica como secundário e demasiadamente protocolar o principal antagonista da história, o maridão Gonzalo (Daniel Grao). As peças que o roteiro tenta pregar em nós são ineficazes frente a certeza de que ele está por traz de qualquer coisa ruim que você possa identificar em tela – da menor até a mais absurda. A figura de desequilíbrio do enredo, o homem inicialmente conhecido como Eduardo Silva (típica alcunha de jogador de futebol, interpretado por Jaime Zatarain), não cumpre tão bem assim o papel de galã e tampouco o de canalha (seja lá qual das duas coisas ele seja no final das contas).

Ángela: vale à pena assistir à série da Netflix

Mas nem tudo são espinhos, e a série consegue inserir uma certa escalabilidade no suspense conforme os episódios passam, deixando aquela tradicional pulga atrás da orelha do espectador. Entre essas pulgas, a mais interessante é a que leva a protagonista a um novo patamar (nada saudável pra ela) que traz breves aspectos de Dom Quixote à trama, algo que gostei bastante.

No entanto, aconselho não esperar genialidade dessa história para não se frustrar – ainda que estejam vendendo por aí a ideia de que se trata de uma série para “explodir a sua cabeça” (de modo figurado, claro).