Tubarão de Guerra (Beast of War) utiliza uma história de sobrevivência no mar durante a Segunda Guerra Mundial como ponto de partida para sua trama. Dirigido e roteirizado por Kiah Roache-Turner, o filme disponível na HBO Max acompanha soldados australianos presos em alto-mar depois que sua embarcação é destruída por forças japonesas. Embora a presença do gigantesco tubarão-branco seja uma criação do longa, os acontecimentos de 1942 que inspiraram a produção são reais.
O que aconteceu com o HMAS Armidale?
A principal inspiração histórica de Beast of War é o naufrágio do HMAS Armidale, uma corveta australiana envolvida em operações de abastecimento e evacuação em Timor.
No fim de novembro de 1942, o Armidale deixou Darwin acompanhado pelo HMAS Castlemaine e pelo pequeno HMAS Kuru. A missão envolvia levar tropas das Índias Orientais Holandesas para Betano, em Timor, além de participar da retirada de militares e civis da região. Naquele momento, as forças australianas e holandesas enfrentavam os japoneses na ilha.
A viagem ocorreu em meio a uma forte presença japonesa. As embarcações foram avistadas e atacadas diversas vezes por aeronaves inimigas. Em 1º de dezembro de 1942, durante a operação de retorno, o Armidale foi atacado por aviões japoneses.
Duas torpedos atingiram a embarcação, que afundou em poucos minutos. Dos 149 homens a bordo, apenas 49 sobreviveram ao desastre. Antes de desaparecer sob as águas, o marinheiro Edward “Teddy” Sheean permaneceu disparando contra os aviões japoneses enquanto o navio afundava. Décadas depois, ele recebeu postumamente a Victoria Cross por sua bravura.

Os sobreviventes ficaram dias à deriva
É justamente essa parte da história que apresenta algumas das maiores semelhanças com Tubarão de Guerra.
Após o naufrágio, os sobreviventes improvisaram uma grande jangada utilizando destroços, enquanto outros conseguiram ocupar uma pequena embarcação e um baleeiro danificado. Eles permaneceram no mar sem saber se as autoridades australianas sequer tinham conhecimento do naufrágio.
Os homens enfrentaram fome, sede, ferimentos, ataques de aeronaves e tubarões, além das condições extremas do oceano. Parte dos sobreviventes chegou a passar até oito dias no mar antes de ser resgatada.
O comandante David Richards decidiu utilizar o pequeno barco a motor para tentar alcançar uma área onde os homens pudessem ser localizados por aeronaves australianas. Como o motor estava danificado, parte do percurso precisou ser feita a remo.
Alguns sobreviventes nunca foram encontrados
O episódio teve um desfecho especialmente trágico. Homens que estavam no barco e no baleeiro conseguiram ser resgatados, mas um grupo que permanecia em uma jangada improvisada desapareceu.
Em 8 de dezembro, uma aeronave Catalina avistou os sobreviventes e chegou a fotografá-los. Entretanto, o mar estava agitado demais para permitir o pouso. Depois que a aeronave deixou a região, os homens nunca mais foram vistos, apesar das buscas aéreas e marítimas.
Tubarão de Guerra, portanto, não reconstitui literalmente o naufrágio do HMAS Armidale. O roteiro de Kiah Roache-Turner transforma elementos documentados daquela tragédia em uma história de terror e sobrevivência, acrescentando o gigantesco tubarão-branco como principal ameaça. A situação dos soldados presos no mar, os destroços, a luta pela sobrevivência e a presença de tubarões, porém, têm conexão direta com um dos episódios mais dramáticos da guerra no Mar de Timor.
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