Recém-chegado no catálogo da Netflix, o filme Brick (2025) vem para nos mostrar possibilidades catastróficas causadas por um suposto avanço desenfreado da nanotecnologia.
A trama é conduzida por um casal, Tim (Matthias Schweighöfer) e Olivia (Ruby O. Fee), em vias de se separar após a não superação de um grande trauma, até que um bizarro acontecimento os deixa trancados em seu apartamento, sem possibilidade aparente de saída. Trata-se de uma parede composta por um material indestrutível, que cerca todos as saídas do local. Eles então passam a quebrar as paredes germinadas do edifício para se comunicar com os vizinhos – para assim juntos encontrarem uma saída para o caos instalado.
A má notícia é que as pessoas encontradas não parecem ser de grande ajuda: um casal de drogados no apartamento ao lado, sem contar um idoso dependente de um cilindro de oxigênio (e armado) no andar de baixo.
Criador de Tribes of Europa dirige e roteiriza problemático filme de boas ideias
O diretor e roteirista de Brick é Philip Koch, que teve como grande destaque na carreira até o momento a criação da série Tribes of Europa, que angariou muitos fãs mas infelizmente foi cancelada pela gigante do streaming. Com esse filme, no entanto, fica difícil acreditar que o mesmo efeito de adoração surja, ainda que o projeto goze de boas ideias como o trabalho da nanotecnologia como potencial apocalíptico e o uso de símbolos atuais do mundo como Quick Response Code (o famoso QR Code) de instrumento para a solução de alguns problemas na narrativa.
Infelizmente, o restante só piora a coisa toda. Os atores não despertam empatia pois possuem carisma zero (o protagonista parece uma cópia azeda de Cillian Murphy, já o coadjuvante mais burro seria uma versão genérica de Tom Hardy), enquanto o ensaio social promovido pelo confinamento dos personagens (uma mistura de Round 6 com BBB, de acordo com o Tom Hardy fake) é mal organizado e presunçoso ao querer citar Sartre e outros pensadores.

Visualmente, a parede revestida de material nanotecnológico não causa o impacto que poderia, dada a sua imponência perante os esforços dos pobres coitados que querem se ver livres dali. Para compensar, o diretor investe em cenas de morte um tanto ridículas, uma em específico é de tirar o espectador da mínima sintonia construída até o momento.
O que seria o grande trunfo para salvar Brick de sua nano qualidade, ou seja, o drama e a relação entre o casal protagonista, infelizmente não agrega em nada pois a dinâmica já está corrompida pela cadeia de pontos negativos. O vilão, totalmente esquecível e desnecessário, é de dar tristeza.
O mundo foi salvo pelo “PIX” em Brick… mas vale a pena assistir?
Como ponto positivo, e não sei se isso justifica uma investida de duas horas da sua vida para assistir ao filme Brick da Netflix, fica a especulação a respeito do que seria uma tragédia nanotecnológica envolvendo uma empresa de segurança do segmento. Mas acho que isso é muito pouco.
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