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Relação com Ted Bundy e mais: As Fitas de Poughkeepsie é uma história real?

Lançado originalmente em 2007, As Fitas de Poughkeepsie voltou a chamar atenção do público nos últimos anos, especialmente após chegar ao Prime Video e viralizar em redes sociais. O longa dirigido por John Erick Dowdle se apresenta como um falso documentário (found footage), formato conhecido por explorar a ideia de que os eventos exibidos poderiam ter acontecido de fato. Mas afinal: existe alguma verdade por trás da história?

O impacto do formato found footage

O subgênero found footage construiu sua força justamente na ilusão de realidade. Produções como A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal popularizaram a estratégia de apresentar narrativas fictícias como registros autênticos, muitas vezes utilizando campanhas de marketing que reforçam essa ambiguidade.

No caso de As Fitas de Poughkeepsie, essa abordagem é levada ao extremo. O filme simula um documentário policial que investiga um assassino em série responsável por gravar seus próprios crimes. A estrutura intercala depoimentos de especialistas com imagens supostamente recuperadas pela polícia, criando um senso de verossimilhança que contribui para o desconforto do espectador.

As Fitas de Poughkeepsie

A história é real?

Apesar da proposta realista, As Fitas de Poughkeepsie é uma obra de ficção. Não há registros de um caso idêntico ao apresentado no filme, nem evidências de que as supostas fitas tenham existido fora da narrativa criada por Dowdle.

Ainda assim, o diretor utilizou uma estratégia comum ao gênero: divulgar o projeto como “baseado em eventos reais” para ampliar o impacto. Essa escolha dialoga com o próprio funcionamento do found footage, que depende da suspensão de descrença para funcionar plenamente.

O enredo gira em torno da descoberta de cerca de 800 fitas VHS em uma casa na cidade de Poughkeepsie, no estado de Nova York. Nessas gravações, um assassino documenta sequestros, torturas e assassinatos, enquanto a polícia tenta traçar seu perfil sem sucesso. Embora não seja baseado em um caso específico, o filme incorpora elementos inspirados em crimes reais para construir sua narrativa.

As Fitas de Poughkeepsie

Influências reais por trás do filme

Mesmo sendo fictício, o longa dialoga com diversos casos verídicos envolvendo assassinos em série. A ideia de criminosos que registram ou guardam lembranças de seus crimes não é inédita, e já apareceu em investigações reais ao longo das décadas.

Além disso, a construção psicológica do assassino — ainda que nunca totalmente explicada — remete a padrões observados em perfis criminais estudados por especialistas. O filme também bebe de uma tradição controversa do cinema, associada ao conceito de “snuff”, produções que simulam ou alegam mostrar violência real, como ocorre em Holocausto Canibal.

Essas referências ajudam a criar um senso de autenticidade, mesmo que a narrativa em si seja inventada. O resultado é uma obra que mistura ficção com elementos reconhecíveis do mundo real.

Qual é a relação com Ted Bundy?

Um dos pontos que mais despertam curiosidade é a relação do filme com Ted Bundy, um dos assassinos em série mais conhecidos da história dos Estados Unidos.

No longa, investigadores recorrem a Bundy — já preso — em busca de pistas que possam ajudar a compreender o comportamento do criminoso de Poughkeepsie. Essa abordagem não é totalmente fictícia: na vida real, Bundy chegou a colaborar com autoridades durante a investigação de outro serial killer, o chamado “Assassino de Green River”.

As Fitas de Poughkeepsie

Na ocasião, ele trocou correspondências e participou de entrevistas com o detetive Robert Keppel, oferecendo análises sobre o comportamento do criminoso. Embora suas contribuições tenham sido consideradas relevantes em alguns aspectos, o caso só foi solucionado anos depois, com a identificação de Gary Ridgway.

O filme utiliza essa referência como base para construir uma cena que reforça o tom documental. Ao inserir Bundy na narrativa, ainda que de forma indireta, a obra amplia sua conexão com casos reais e reforça a sensação de autenticidade.

Por que o filme parece tão real?

Parte do impacto de As Fitas de Poughkeepsie vem da sua estética. As imagens das supostas fitas são granuladas, instáveis e muitas vezes desconfortáveis de assistir, contrastando com entrevistas mais limpas e organizadas. Essa alternância reforça a ideia de que o espectador está diante de um material investigativo.

Outro fator é a ausência de explicações claras. Diferente de muitos filmes do gênero, o longa não oferece uma origem ou motivação para o assassino, o que contribui para uma sensação de imprevisibilidade. Esse vazio narrativo aproxima a obra de casos reais, nos quais nem sempre há respostas satisfatórias.

Concluindo: então As Fitas de Poughkeepsie não é inspirado numa história real?

As Fitas de Poughkeepsie não é baseado em uma história real, mas constrói sua força justamente ao simular essa possibilidade. Ao combinar referências a crimes verídicos, estratégias de marketing e uma estética documental, o filme cria uma experiência que desafia o espectador a questionar o que é ficção e o que poderia ser realidade.

No fim, o longa dirigido por John Erick Dowdle se insere em uma tradição do terror que utiliza o real como ponto de partida — não para recontar fatos, mas para potencializar o impacto da narrativa.