A tradutora Emily Wilson, conhecida por sua aclamada versão moderna de Odisseia em pentâmetro iâmbico, fez uma crítica contundente ao “A Odisseia”, novo filme de Christopher Nolan (leia a nossa crítica), na London Review of Books.
Embora elogie o entretenimento e a estrutura narrativa, Wilson afirma que o longa é “superficial” e não faz jus ao poema original, reduzindo o herói (vivido por Matt Damon) a um personagem motivado por ansiedade e culpa, em vez do “homem complicado” astuto e enganador criado por Homero. Ela também critica a falta de profundidade de Penélope (Anne Hathaway) , que “não tem nada para fazer” além de esperar o marido, e a ausência de sexo e violência moralmente ambígua (elementos centrais na obra grega), além de apontar que os deuses são praticamente inexistentes e que a escala racial do elenco não é progressiva, com atores não brancos em papéis subdesenvolvidos.
Apesar das ressalvas, Wilson reconhece que o filme é um “espetáculo audiovisual familiar” e que Nolan mantém a estrutura de histórias dentro de histórias, mas considera que o diretor “simplifica” a narrativa. Ela também elogia a atuação de Robert Pattinson como Antínoo, que considera digna de Oscar. A tradutora ainda questiona a escolha ética de filmar partes do longa no Saara Ocidental (território ocupado), mas celebra o impacto do filme em levar público aos cinemas e estimular o interesse pela leitura.
Lançado nos cinemas no último dia 16 de julho, “A Odisseia” de Christopher Nolan já ultrapassou a marca de US$ 650 milhões nas bilheterias (e estamos somente em sua segunda semana. Em seu primeiro fim de semana, o filme arrecadou US$ 264 milhões de dólares.
Sobre A Odisseia de Nolan
Após a Guerra de Tróia, o guerreiro grego Odisseu (Matt Damon) enfrenta criaturas míticas e deuses em sua épica jornada de volta para casa, onde sua esposa Penélope (Anne Hathaway) o aguarda. A produção reúne um elenco estelar para contar essa grandiosa história, com Tom Holland, Zendaya, Mia Goth, Robert Pattinson e as também ganhadoras do prêmio da Academia Charlize Theron e Lupita Nyong’o entre outros.
Outro destaque da produção é seu aspecto técnico. O longa será o primeiro da história a ser filmado integralmente em película IMAX 70mm, com fotografia assinada por Hoyte van Hoytema. A trilha sonora fica a cargo de Ludwig Göransson, enquanto a produção é liderada por Christopher Nolan e Emma Thomas, pela Syncopy.
via Deadline.
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