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Ari Aster filmando Midsommar Ari Aster filmando Midsommar

Ari Aster critica o uso da Inteligência Artificial em Hollywood

Ari Aster, cineasta aclamado por filmes como “Hereditário” e “Midsommar”, expressou profunda preocupação com o avanço descontrolado da inteligência artificial em Hollywood.

Em entrevista ao Letterboxd, o diretor – que está chegando com seu novo filme: Eddington – admitiu que a tecnologia já ultrapassou o ponto de contenção: “Obviamente já é tarde demais. Estamos numa corrida agora”. Com referência ao teórico Marshall McLuhan — “O homem é o órgão sexual do mundo das máquinas” —, Aster questionou a relação simbiótica entre humanos e IA: “Esta tecnologia é uma extensão nossa ou estamos aqui apenas para conduzi-la à existência?”

O que mais assombra o cineasta é o discurso místico em torno da ferramenta. “Engenheiros e entusiastas não falam dela como tecnologia, mas como um deus. São discípulos, adoradores”, alertou, destacando o desaparecimento da fronteira entre realidade e ficção. Enquanto o Senado americano flexibiliza regulações sobre IA, Aster observa com inquietação a adaptação humana ao “estranhamento”: “Vídeos gerados por IA já parecem vida real. Coisas bizarras se normalizam rápido, mas algo enorme está acontecendo sem nosso controle”.

Sobre o paradoxo da tecnologia, Ari Aster refletiu: “O mais perturbador é que a IA é menos perturbadora do que eu gostaria que fosse”. Com um misto de fascínio e temor, concluiu: “Mal posso acreditar que viveremos para ver no que isso vai dar. Caramba”. A fala de Aster ecoa debates na indústria, onde alguns defendem um “uso limpo” da IA, enquanto outros, como ele, veem riscos de uma devoção acrítica à inovação.

via Deadline.