Baseado em uma história real, Um Lobo Entre os Cisnes retrata a trajetória de Thiago (Matheus Abreu), um jovem morador do subúrbio carioca em 1996. Apaixonado pelo hip-hop, mas indisciplinado e arrogante, ele vê na dança uma paixão e uma possível saída para suas dificuldades financeiras. A virada ocorre quando, incentivado por seu mentor, aceita participar de um curso de balé — inicialmente apenas pela bolsa remunerada. Hesitante por considerar o balé uma ameaça à sua identidade e masculinidade, Thiago mergulha em um universo novo, onde será desafiado não só fisicamente, mas emocional e socialmente.
Embora a jornada comece por interesse, logo o filme deixa claro que o maior obstáculo de Thiago é interno: ele precisa lidar com sua arrogância, imaturidade e resistência à disciplina — traços que colidem com os pilares fundamentais do balé. A chegada de um novo mentor, Dino (vivido por Dario Grandinetti), impõe ainda mais desafios. Rígido e exigente, Dino confronta a necessidade que Thiago tem de liberdade. Mas dessa relação inicialmente tensa, nasce um laço de confiança e respeito mútuo que passa a sustentar boa parte da narrativa.

“Um Lobo Entre os Cisnes”: entre masculinidade e amadurecimento
Mais do que um filme sobre dança, “Um Lobo Entre os Cisnes” é uma reflexão sobre masculinidade. Ambientado nos anos 1990, o longa retrata um jovem que precisa amadurecer não apenas para alcançar seus objetivos, mas para abandonar uma ideia distorcida de virilidade — construída sobre orgulho, impulsividade e resistência a qualquer forma de sensibilidade. Em diversas cenas, Thiago, seus amigos e até familiares tratam o balé com preconceito, reproduzindo falas como “dança de veado”. Mas é justamente nesse ambiente que ele encontra espaço para crescer.
O longa constrói, com sensibilidade, um arco de redenção que não parte de grandes eventos, mas de pequenas quebras na armadura do protagonista. A relação com os colegas e com a própria dança mostram um Thiago mais vulnerável — e é nesse processo que ele começa a trocar seus instintos por escolhas mais conscientes. Ainda que a juventude explique parte de seu comportamento, o filme aponta diretamente para um tipo de masculinidade tóxica que atravessa gerações e permanece como debate atual.
Com direção de Marcos Schechtman e Helena Varvaki, “Um Lobo Entre os Cisnes” é eficiente ao usar a dança como metáfora para a transformação pessoal. A metáfora do título não é gratuita: para conviver entre os cisnes, o jovem lobo precisa abrir mão dos caninos. O longa encontra beleza na construção de um homem que, aos poucos, entende que força também se revela na empatia, na escuta e na capacidade de mudança.
“Um Lobo Entre os Cisnes” estreia nos cinemas em 24 de julho.
Por Hélio Mesquita.
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