Desde o lançamento do primeiro trailer, The Furious entrou no meu radar muito por conta dos realizadores e atores envolvidos e meu gosto por filmes de ação. Com a direção Kenji Tanigaki, um renomado coreógrafo de ação que trabalhou em todos os filmes live-action de “Samurai X”, o projeto tem uma das melhore coreografias de luta, embalada por sequências de violências que pode tranquilamente rivalizar com grandes filmes do gênero.
A trama é propositalmente direta. Nos primeiros 20-30 minutos, o espectador já está por dentro de tudo o que precisa e do que irá encarar pelo restante. Em uma localidade anônima do Sudeste Asiático, um trabalhador manual e mudo (Xie Miao) vê sua vida desabar quando sua filha, Rainy, é sequestrada por uma rede de tráfico infantil. Ignorado por uma polícia corrupta, ele parte em uma missão implacável. No caminho, cruza com Navin (Joe Taslim), um jornalista que também busca respostas sobre o desaparecimento de sua esposa. Unidos pela dor, eles desencadeiam uma carnificina sobre os criminosos.
A escolha por um protagonista silencioso é um dos grandes acertos do filme. Xie Miao, que trabalhou com Jet Li nos anos 1990, tem uma performance física surreal. A fúria de seu personagem é perfeitamente comunicada através de seus olhos e de seus golpes, lembrando os melhores momentos do cinema de ação de Hong Kong.

Coreografia como linguagem universal em “The Furious”
A verdadeira estrela de “The Furious” é sua ação. O diretor Kenji Tanigaki, em parceria com o coreógrafo Kensuke Sonomura (A Canção do Samurai, Ghost Killer), cria sequências que são verdadeiras danças. A variedade de estilos de luta é explorada de forma inteligente, e isso cria um diálogo entre os personagens através dos golpes. È muito interessante perceber que cada confronto é diferente, com as coreografias se aproveitando do ambiente ao redor, seja um clube com uma jaula de MMA ou uma fábrica com blocos de gelo.
O clímax do filme, uma batalha que coloca a dupla de heróis contra os principais antagonistas, é um feito de puro empenho e consciência do que um filme de ação pode entregar ao espectador. A gente acompanha as cenas de luta e toda a ação sem cortes rápidos e desorientadores, e isso me faz apreciar toda a complexidade e brutalidade dos movimentos dos personagens. É uma aula de como a coreografia pode ser a própria linguagem do filme.
Outro aspecto que torna “The Furious” interessante é sua produção pan-asiática, com artistas de diversos países. Além dos protagonistas (um chinês e outro indonésio), o filme conta com participações de pesos pesados do gênero, como Yayan Ruhian (The Raid, John Wick 3), Jeeja Yanin (Chocolate), o americano careca Brian Le, que rouba a cena como um capanga de força e resistência descomunal, e o excelente Joey Iwanaga (esse aqui me surpreendeu muito no combate com jogo de pernas).
Crítica
Embora o roteiro não seja o ponto mais forte, “The Furious” compensa com uma energia inegável. É uma experiência imersiva e fisicamente exaustiva, pensada para ver numa sala de cinema, mas que não perde em nada se vista de seu sofá (ou cama?). Se você é fã de filmes de ação pura, sem concessões, “The Furious” é obrigatório.
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