Surgida em 2021, Round 6 (Squid Game) virou uma potente marca da Netflix por trazer um belo combo de entretenimento esportivo com personagens carismáticos, crítica social e identidade visual. Com uma história principal consideravelmente fechada, parecia arriscado estender a trama por muitas temporadas, pois o que faz sucesso hoje é facilmente esquecido na próxima semana. Entendendo isso mas querendo continuar a ganhar dinheiro, optou-se por apenas mais duas levas de episódios para que tudo fosse devidamente encerrado. Mas será que a qualidade do final de Round 6 (prometido como um encerramento digno pelo diretor Hwang Dong-hyuk) foi afetada? Saberemos nesta crítica.
Na terceira e última temporada de Round 6, Gi-hun (Lee Jung-jae) segue determinado a destruir o jogo após perder seu melhor amigo e ser manipulado pelo líder (Lee Byung-hun), que manteve sua identidade em segredo para se infiltrar. Enquanto Gi-hun traça seu caminho rumo à vingança, o líder avança com seus próprios planos. Agora, cada decisão dos jogadores restantes carrega consequências ainda mais sérias a cada nova etapa.
Fórmula de Round 6 ainda funciona e sustenta atenção do espectador
A boa notícia é que os elementos que consagraram a série continuam dando certo até o final, ainda que a decisão de levar a narrativa principal para um novo jogo desde a temporada 2 escancare certa limitação criativa. A continuação da perspectiva dos criadores do jogo na figura do líder é outro ponto positivo que a temporada 3 herda da anterior, mas faltou desenvolvimento das motivações desses personagens para além da ganância financeira.
O líder, um homem amargurado pelo luto, fica devendo respostas sobre suas motivações ao irmão e, consequentemente, a quem assiste a série. Já Kang No-eul (Park Gyu-young), a Soldado Número 011, tem um arco condizente com o coração materno, temática principal da temporada, mas tem um longo rastro de sangue ignorado de qualquer punição após anos e anos assassinando inocentes. O fato de ser uma mãe enlutada pela perda do filho não pode, porém, justificar anos e anos matando a sangue frio pessoas inocentes – que achassem outra razão para ela se safar.

Ainda enxergando as temporadas 2 e 3 como uma só, pois assim foi concebida, é preciso dizer nesta crítica o quão inútil e cansativo foi o arco do policial Hwang Jun-ho (Wi Ha-joon), em ressonância a toda decepção pelo não aprofundamento na história do líder, seu irmão.
Vale à pena maratonar o final de Round 6 na Netflix?
Claro que vale! Mas não podemos deixar de lado e criticar toda demora dos episódios finais, principalmente os dois últimos, que colocam Gi-hun, logo o protagonista, numa posição de absoluta inércia em indo contra não apenas às características do seu personagem, mas também ao que se espera da figura central de uma trama como essa. Esses capítulos arrastados acabam se tornando uma indesejada angústia para o espectador.
O destino de Round 6: a série acabou mesmo?
Com o fechamento dessa história, conforme anunciado pela Netflix, entendemos que essa é mesmo a terceira e última temporada da série Round 6, mas as pontas soltas deixadas por tantos personagens com potencial, e a cena final levando eventos para outros continentes, nos deixa a sensação de que achar que esse seria o fim de Squid Game foi um verdadeiro tapa na cara, daqueles bem dados numa partida de ddakji.
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