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DEPT Q estreia na Netflix e ganha crítica e final explicado DEPT Q estreia na Netflix e ganha crítica e final explicado

DEPT Q: um ótimo mistério na Netflix

Adaptando a obra de Jussi Adler Olsen, chega ao catálogo da Netflix a série policial DEPT Q. Dotada de boas doses de mistério e humor legitimamente europeu, a produção figura entre as mais assistidas do serviço e acho justo afirmar nesta crítica que o sucesso é merecido.

O detetive Carl Morck (Matthew Goode) é um policial brilhante, mas um péssimo colega. Seu sarcasmo afiado não lhe trouxe muitos amigos na polícia de Edimburgo. Após um tiroteio que deixou um jovem policial morto e seu parceiro paralisado, ele é indicado para ser o único membro do Departamento Q, uma nova unidade de casos arquivados que fica no subsolo.

O departamento é uma estratégia de relações públicas, criado para distrair o público dos fracassos de uma força policial decadente e com poucos recursos, que só quer se livrar de Carl. Porém, de forma quase acidental, o detetive começa a formar um grupo de desgarrados que querem provar seu valor. Por isso, quando a pista de uma pessoa importante desaparecida há vários anos começa a ressurgir, Carl faz o que sabe fazer de melhor: recusar-se a aceitar um não como resposta.

DEPT Q estreia na Netflix e ganha crítica e final explicado

Ótima adição da Netflix, mas será que DEPT Q rende 2ª temporada?

Não irei entrar em detalhes sobre a versão literária pois não a li, mas é prudente supor que a adaptação tenha passado por mudanças estratégicas para se encaixar no formato desejado para o streaming da Netflix. O fato é que a “fórmula” da série DEPT Qfunciona muito bem e o que encontramos são nove episódios recheados de humor geográfico, mistérios bem elaborados e uma envolvente construção de um protagonista que exala autopiedade após o trágico evento ocorrido.

Conforme criamos antipatia com Carl Morck, devido à sua personalidade extremamente babaca (digna de pessoas com muita inteligência), ao mesmo tempo percebemos que se trata de uma pessoa ferida pela vida e para além do fatídico dia no qual foi baleado. A relação com o enteado (que passou a morar com ele após o divórcio), a falta de profissionalismo e as conturbadas sessões de terapia dosam todo o trabalho do roteiro em benefício do ator, formando uma ótima representação do caos que é sua existência (e como isso não é inerentemente algo ruim).

O desenrolar da trama nessa primeira temporada, que fica aos cuidados de Scott Frank (criador das minisséries O Gambito da Rainha e Godless, além de assinar o roteiro do filme Logan) e Chandni Lakhani (editora de roteiro de dois ótimos episódios de Black Mirror, San Junipero e USS Callister) se concentra no primeiro caso do Departamento Q de modo bastante dinâmico e envolvente.

Matthew Goode então é certamente a peça chave para o funcionamento da série, mas, ao contrário de Ozymandias (personagem que ele interpretou na adaptação de Watchmen em 2009), ele está longe de ser o homem mais inteligente de todos. É nesse momento que a equipe formada em DEPT Q se destaca, tendo cada membro um desenvolvimento que torna cada um genuinamente interessante, chegando ao ponto de ficar devendo neste quesito (afinal, são coadjuvantes). Mas ter essa equipe formada por Akram (Alexej Manvelov, que rouba a cena em muitos momentos), Hardy (Jamie Sives) e Rose (Leah Byrne) trabalhando junta vai ser algo motivador de assistir na 2ª temporada, caso a Netflix dê o sinal verde para a devida continuação da produção.

Devido à complexidade do caso, que acaba se entrelaçando com outros, pode ser que o espectador se sinta um tanto perdido em alguns momentos, mas pode confiar que no final dá tudo certo, ainda que o excesso de diálogos explicativos acabem tornando as coisas maçantes em poucos momentos.

Afinal, vale à pena assistir DEPT Q?

Super vale. A série DEPT Q chega ao final de sua primeira temporada com saldo positivo, e cabe a nós torcer para que a recepção seja boa para que a Netflix dê continuidade ao título. No entanto, vale ressaltar que Departamento Q possui nada menos do que dez livros lançados pelo seu autor, tendo seis deles já adaptados para o cinema – mas com distribuição mais restrita ao seu país de origem, a Dinamarca. Mas isso é papo para outro momento.