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Rio (2011) | Crítica do filme animado de Carlos Saldanha Rio (2011) | Crítica do filme animado de Carlos Saldanha

Rio (2011) | Crítica do filme animado de Carlos Saldanha

O filme animado “Rio”, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha (da franquia A Era do Gelo), é uma explosão de cores, música e alegria que funciona como um cartão postal animado para o Rio de Janeiro. Lançado lá em 2011, a animação conquista com seu visual e trilha sonora, embora não inove em sua narrativa, seguindo uma fórmula batida dos filmes de animação para a família. No entanto, aqui temos uma aventura agradável, perfeita para as crianças, mas previsível para os adultos.

A história acompanha Blu (voz original de Jesse Eisenberg), uma arara azul rara que foi tirada ainda filhote das selvas do Brasil e criada domesticamente em Minnesota, EUA, pela dedicada Linda. O problema? Blu nunca aprendeu a voar e leva uma vida pacata e segura dentro de casa. Sua rotina vira de cabeça para baixo quando um ornitólogo, Tulio, anuncia que ele é o último macho de sua espécie e que há uma fêmea, Jade (voz de Anne Hathaway), no Rio de Janeiro. A missão é clara: levar Blu ao Rio para procriar e salvar a espécie. Apesar das vozes originais serem boas, vale o destaque para o time espetacular de dublagem brasileira, que fica com Gustavo Pereira (Blu), Adriana Torres (Jade), Guilherme Briggs (Nigel) e Luiz Carlos Persy (Rafael), além de Mauro Ramos (Pedro) e Rodrigo Santoro (Tulio).

“Rio” brilha em seu cenário e musicalidade

O maior triunfo do filme é, sem dúvida, a homenagem visual e sonora à cidade do Rio de Janeiro. A animação do Blue Sky Studios (que fechou as portas em 2021) é ótima, com cores saturadas e cenários que capturam a energia e a beleza natural da cidade. O estúdio se saiu muito bem nas cenas aéreas, como um voo de asa-delta ao redor do Cristo Redentor, fazendo o espectador imerso na paisagem.

A trilha sonora, supervisionada pelo lendário Sérgio Mendes, poderia ser um personagem por si só. A música e os ritmos passam por cada cena, criando uma atmosfera de festa constante (o que pode também ajudar a criar um estereotipo do Brasil e, especialmente, dos cariocas). Os números musicais originais são muito bons, especialmente a vilanesca e engraçada de Nigel, a cacatua (tem a voz de Jemaine Clement no original, mas nada supera a dublagem do Briggs).

Os personagens e a narrativa convencional de “Rio”

Apesar do cenário exuberante, a trama de “Rio” segue um caminho bastante familiar. A dinâmica de “opostos que se atraem” entre o Blu neurótico e caseiro e a Jewel selvagem e independente é pouco original. O arco do herói que precisa superar seus medos (no caso, aprender a voar) para salvar o dia é um clichê do gênero.

O elenco de vozes, repleto de estrelas, entrega performances sólidas, mas soa estranhamente pouco brasileiro para um filme ambientado no Rio. A excessiva quantidade de personagens coadjuvantes “cômicos”, como o bulldog Luiz, segue a tendência da época de lotar a tela com figuras para gerar merchandising, sem acrescentar profundidade à história.

Veredito: diversão garantida para as crianças, beleza para todos

“Rio” é um filme que cumpre sua proposta com eficiência. É uma aventura leve, divertida e musical que certamente prende a atenção das crianças do início ao fim, com humor simples e situações engraçadas.

Para os adultos, a experiência pode ser um pouco marcada pela previsibilidade narrativa e pelos arquétipos dos personagens. No entanto, a beleza visual estonteante e a trilha sonora energética são argumentos mais do que suficientes para garantir uma agradável sessão para toda a família.