[COSMO] Topo Home e Posts
Looney Tunes - O Dia Que A Terra Explodiu ganha trailer Looney Tunes - O Dia Que A Terra Explodiu ganha trailer

Looney Tunes – O Filme: O Dia Que A Terra Explodiu prova que nem toda ideia precisa ir adiante

Animação tenta misturar humor e drama, mas acaba esquecendo o que fez os personagens clássicos brilharem.

Looney Tunes – O Filme: O Dia Que A Terra Explodiu é um filme que, de cara, já chega com um atraso inexplicável. Não que os Looney Tunes precisem de uma reinvenção urgente, mas esta tentativa parece ter sido concebida sem paixão ou propósito. A sensação é que ninguém – nem os fãs, nem a Warner Bros. – estava realmente esperando por isso. E, depois de assistir, fica claro o porquê: é um filme que não acrescenta nada ao legado dos personagens, apenas os coloca em um contexto que não os valoriza.

A animação, ao menos, tenta algo diferente. Fugindo do padrão atual de low frame rate e das composições híbridas entre 2D e 3D, o filme aposta em camadas de desenho tradicional, o que lhe confere um charme vintage e um dinamismo que lembra os desenhos clássicos. Os personagens estão mais arredondados, com movimentos exagerados e maleáveis; quase como uma homenagem ao estilo inicial dos Looney Tunes. É uma escolha visual interessante, que poderia ter funcionado muito melhor se o restante do filme estivesse à altura.

O problema começa quando o roteiro tenta ser mais do que realmente é. “Looney Tunes – O Filme: O Dia Que A Terra Explodiu” não é só uma comédia pastelão, ele tenta abordar temas como luto, abandono e até relacionamentos tóxicos, mas sem a profundidade necessária. Tudo é resolvido de forma apressada, como se os conflitos fossem apenas obstáculos descartáveis no caminho. Há uma tentativa de transmitir uma mensagem sobre superação, mas ela é tão superficial que acaba sendo esquecida poucos minutos depois. Pior ainda é o tom inconsistente: em alguns momentos, o filme parece uma sátira; em outros, tenta ser emocionante, mas nunca consegue equilibrar os dois registros.

Crédito da imagem: Reprodução/Warner Bros.

O maior pecado, porém, é que este não parece um filme dos Looney Tunes de verdade. As animações clássicas existiam em um universo próprio, onde a lógica era irrelevante e o absurdo era a regra. Aqui, o filme tenta colocar os personagens em um mundo quase real, com problemas cotidianos — mas sem o humor afiado que sempre os definiu. O resultado é uma narrativa confusa, que não é engraçada o suficiente para justificar o nonsense, nem inteligente o bastante para funcionar como uma história mais séria.

No fim, “Looney Tunes – O Filme: O Dia Que A Terra Explodiu” é só mais uma animação esquecível. Tem seus momentos de nostalgia, principalmente para quem cresceu com os Looney Tunes, mas não oferece nada que justifique sua existência. É o tipo de filme que você assiste sem expectativas e termina sem lembrar. Se fosse um desenho de 20 minutos, talvez funcionasse como um divertimento passageiro; mas, como longa-metragem, só reforça que nem tudo precisa de uma continuação ou de um reboot.

Por Lanna Félix.