Quarenta anos após a primeira adaptação para o cinema, a icônica personagem de Robert E. Howard e dos quadrinhos da Marvel retorna em Red Sonja (2025), dirigido por M.J. Bassett e estrelado por Matilda Lutz. O longa marca uma tentativa de reintroduzir a heroína ao público contemporâneo, oferecendo uma narrativa de origem que mescla aventura, fantasia e temas ligados à preservação da natureza. Apesar de suas limitações orçamentárias, o filme encontra soluções criativas para entregar um espetáculo sólido, que honra as raízes da personagem e abre espaço para possíveis continuações.
Uma nova abordagem para Red Sonja
Diferente do longa de 1985, estrelado por Brigitte Nielsen, o reboot de 2025 busca se aproximar mais da essência dos quadrinhos, especialmente das histórias escritas por Gail Simone, que atua como produtora consultora do projeto. A narrativa apresenta Sonja como uma jovem criada em uma região remota, profundamente conectada à natureza e ao seu cavalo de companhia. Essa relação com o ambiente e os elementos místicos da floresta é central para a trama, que também incorpora um tema contemporâneo: a luta para proteger o equilíbrio natural contra forças destrutivas.
O roteiro, escrito por Tasha Huo (da série animada Tomb Raider: A Lenda de Lara Croft, da Netflix), evita os clichês mais óbvios de “guerreira invencível” e mostra uma Sonja que sangra, falha e aprende. Sua força vem não apenas da habilidade com a espada, mas também da empatia e da capacidade de inspirar aliados.
Matilda Lutz dá vida à guerreira Red Sonja
A escolha de Matilda Lutz para o papel principal se mostra acertada. A atriz entrega uma interpretação que combina intensidade física e momentos de vulnerabilidade, equilibrando a ferocidade da personagem com cenas mais intimistas. Conhecida pelo filme Revenge (2017), Lutz traz credibilidade aos combates e humaniza Sonja, tornando-a mais próxima do público.
Além disso, a relação da protagonista com seu cavalo é um dos pontos altos do longa. Diferente de muitos filmes de fantasia recentes, o animal não é tratado como mero recurso visual, mas como parte integrante da história, reforçando o vínculo de Sonja com a natureza e seu papel de guardiã da floresta.
O vilão Dragan e o conflito central
O antagonista da história, Imperador Dragan, o Magnífico (Robert Sheehan), tem papel importante na construção do universo. Obcecado por poder, ele busca destruir o território natural de Sonja para expandir seu domínio e alimentar uma arena de combates sangrentos. A presença de Dragan adiciona camadas à narrativa, explorando temas como exploração ambiental e o embate entre tradição e progresso forçado.
A relação de Dragan com sua amante e guerreira Annisia (Wallis Day) também se destaca. Nos quadrinhos, a personagem é uma meia-irmã de Sonja, mas o filme opta por uma abordagem mais contida, sugerindo rivalidade sem aprofundar o parentesco. Essa escolha evita simplificações e preserva a tensão dramática do terceiro ato.
Efeitos visuais e soluções criativas de Red Sonja
Com um orçamento mais modesto em comparação a produções de fantasia recentes, Red Sonja utiliza a fotografia e o design de produção de forma estratégica. Sequências como a batalha contra um ciclope, a arena construída à beira de um penhasco e o confronto final são visualmente impactantes mesmo sem depender de grandes recursos digitais.
O diretor M.J. Bassett aposta em efeitos práticos sempre que possível, especialmente no design das criaturas, como o híbrido General Karlak (Martyn Ford), que se destaca pela maquiagem protética detalhada. Esses elementos trazem um ar mais orgânico à narrativa e remetem aos filmes clássicos de espada e feitiçaria.
A trilha sonora e a atmosfera épica
Outro aspecto de destaque é a trilha sonora composta por Sonya Belousova e Giona Ostinelli, responsáveis também pelas músicas de séries como The Witcher. A combinação de percussões intensas e melodias grandiosas ajuda a amplificar a escala das batalhas e momentos de tensão. A música sustenta a atmosfera épica da produção sem sobrepor-se à narrativa, equilibrando ação e emoção com eficiência.

Um filme que honra o legado da personagem
Red Sonja (2025) não tenta reinventar o gênero de fantasia, mas aposta na fidelidade ao material original, oferecendo uma experiência consistente para os fãs da personagem. Ao abordar temas como o conflito entre homem e natureza e ao apresentar uma protagonista forte, mas humana, o filme consegue se diferenciar das adaptações anteriores e posiciona Sonja como uma figura relevante para novos públicos.
A produção deixa espaço para futuras continuações, construindo um universo que pode ser expandido em próximos capítulos. Embora não seja um épico grandioso em termos de escala, o longa entrega o que promete: uma aventura envolvente e uma nova oportunidade para a heroína brilhar nos cinemas.
Crítica: Red Sonja (2025) é bom?
A versão de M.J. Bassett para Red Sonja equilibra respeito ao legado da personagem com escolhas criativas que funcionam dentro das limitações de orçamento. A atuação de Matilda Lutz, o cuidado com os elementos de fantasia e a atenção aos temas ambientais tornam o filme uma adição interessante ao gênero de espada e feitiçaria.
Para quem conhece a personagem dos quadrinhos ou para quem busca uma aventura direta e honesta, Red Sonja oferece uma narrativa que, mesmo sem grandes excessos, cumpre bem sua proposta e reacende o interesse por uma das figuras mais marcantes da fantasia contemporânea.
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