Prédio Vazio é um longa que surpreende, mas que, no fim, bebe muito das referências norte-americanas, mesclando-as com a doçura única do cinema brasileiro. Os clássicos de José Mojica Marins (o eterno Zé do Caixão) servem como principal inspiração para a fotografia, criando uma atmosfera densa e impactante que ecoa as origens do terror nacional.
Com uma direção inusitada, principalmente pelos enquadramentos e planos escolhidos, fica nítido o carinho que Rodrigo Aragão dedicou ao projeto. A execução de cada cena é viciante, despertando a vontade de revisitar certos momentos apenas para captar os detalhes da composição visual. É um verdadeiro soco no estômago das produções internacionais, provando que o Brasil sabe — e pode — fazer terror que realmente assusta, sem recorrer ao clichê.
O maior destaque de “Prédio Vazio” vai para a fotografia. O uso de lentes fixas, como a clássica 35mm, cria uma imagem dura e ampla, que gera uma sensação agonizante e quase claustrofóbica — um recurso simplesmente brilhante para a proposta do filme. A estética construída dialoga diretamente com o terror dos anos 70 e 80, mas com uma linguagem visual contemporânea, rica em neon e sombras.

Prédio Vazio acerta e erra…
Se por um lado a fotografia brilha, o figurino e a maquiagem deixam a desejar. Não chegam a comprometer o filme, mas também não impressionam como em outras produções recentes do terror nacional. Em várias cenas, os trajes e efeitos parecem improvisados, transmitindo a sensação de que a equipe não teve tempo ou orçamento suficiente para planejar todos os detalhes.
A atuação, embora não seja o ponto mais forte de “Prédio Vazio”, cumpre seu papel. O foco aqui está nos planos fixos e na construção do medo através do ambiente, e não em sustos fáceis ou excesso de gore. Essa escolha é inteligente, especialmente em um cenário saturado de filmes que apostam apenas em recursos fáceis para assustar.
No fim, “Prédio Vazio” é um filme necessário e valioso para o cinema nacional. Funciona como uma espécie de sucessor espiritual do terror brasileiro dos anos 70, com uma estética neon dos anos 80 e uma linguagem contemporânea. É gratificante assistir, mesmo que os sustos sejam pontuais.
Por Lanna Félix.
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