Uma realização da Balboa Productions (empresa de Sylvester Stallone) e recém-chegado ao catálogo da Netflix, Perdido na Montanha (Lost on a Mountain in Maine, 2024) apresenta uma história real sobre um garoto perdido após um mal sucedido passeio na década de 1930.
O caso verídico acontece quando Donn Fendler (Luke David Blumm), após desentendimento com seu irmão, acaba se separando dele e do guia da trilha enquanto as condições climáticas tornavam a atividade algo proibitivo. O pai, interpretado pelo veterano Paul Sparks (da série House of Cards), inicia então uma busca pelo garoto que passa vários dias perdido, tendo que se virar sobreviver.
Perdido na Montanha conta com Grande Depressão e deus Pamola como pano de fundo
O filme dirigido por Andrew Boodhoo Kightlinger, cineasta ainda novato em longas-metragens, lança mão de algumas ferramentas para, a partir do roteiro baseado no livro escrito pelo próprio Donn Fendler, dar contornos mais dramáticos à saga de escapatória da montanha. Diferente de Tempestade Infinita (2022), filme estrelado por Naomi Watts também baseado em eventos reais, as cenas de homem vs natureza não são tão bem feitas assim – porém, essa exposição não é o foco do longa.
A montanha do filme, porém, não é uma qualquer e a localização no Maine (estado dos EUA e terra do escritor Stephen King) dá o tom para a inserção de elementos mitológicos com a presença de Pamola, o deus do trovão e protetor do Monte Katahdin e dos Penobscot (povo indígena local), considerado o mais alto do Maine.
O coração de Perdido na Montanha é a relação do pai com seus filhos e como a necessidade do trabalho os afasta – tanto física quanto emocionalmente. O contexto é a brutal situação de escassez financeira que atingiu as famílias na Grande Depressão, nome dado ao momento da quebra da bolsa de valores em Nova York em 1929.
A raiva e rebeldia de Donn com o pai é algo que não fica tão bem colocado na trama na maior parte do tempo, mas acaba melhorando conforme entendemos o como isso realmente afetou ele enquanto garoto, momento esse que o filme passa a consolidar então a transição da criança para uma pessoa com mais maturidade.

Plot twist inesperado dá contornos de documentário ao filme
A reta final do filme destoa bem do começo, quando a própria proposta do formato acaba mudando ao adotar um tom de documentário, intercalando as cenas com atores com depoimentos e registros reais da época. O que deveria ser um desastre em termos narrativos acaba se tornando algo até interessante, agregando mais valor à produção como um todo e fortalecendo os personagens, principalmente a mãe de Donn, interpretada por Caitlin FitzGerald.
Talvez se tivesse investido mais no formato de documentário, Perdido na Montanha se saísse muito melhor em seu resultado final, ainda que enfrentasse a limitação do tempo para captação de informações e produção de novos registros. De todo modo, o filme faz o que pode para usar o orçamento que tem e entregar uma história real sobre final da infância e a importância de persistir.
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