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Crítica de O Morro dos Ventos Uivantes (2026), adaptação da obra de Emily Brontë com direção de Emerald Fennell Crítica de O Morro dos Ventos Uivantes (2026), adaptação da obra de Emily Brontë com direção de Emerald Fennell

O Morro dos Ventos Uivantes (2026) possui seus méritos | Crítica

O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte, é uma das obras literárias mais influentes para a cultura ocidental, desde o século 20 o livro é adaptado em diversas mídias e de diversas maneiras, como tv, cinema e até mesmo música. Emerald Fennell, uma atriz que se tornou diretora e ficou conhecida pelo bom “Bela vingança” e pelo terrível “Saltburn” , dirige a mais nova adaptação do livro, só que dessa vez, a adaptação está carregada de polêmicas. Mas será que a diretora conseguiu ir além das controvérsias e fez um filme que faz jus a obra original?

Na nova adaptação de 2026, Margot Robbie interpreta Catherine Earnshaw, cuja ligação intensa com Heathcliff, vivido por Jacob Elordi, evolui para um amor obsessivo que devasta ambos. A rivalidade entre eles e Edgar Linton (Shazad Latif) acende um ciclo de conflitos que marca as duas famílias. A história acompanha a ascensão, queda e vingança de Heathcliff após perder Cathy para um casamento estratégico.

O que O Morro dos Ventos Uivantes (2026) traz de novo

A sinopse base de O Morro dos Ventos Uivantes é praticamente a mesma de todas as adaptações, e sim, a nova versão destoa bastante da obra original, mas falando especificamente deste como um filme isolado, ele tem erros, acertos e decisões estranhas ao longo de sua condução. Logo na primeira cena, o teor sexual e depravado do filme ficam evidentes, ao som de Charlie XCX e John Cale, vemos uma execução pública, com a câmera focada na genitália do enforcado enquanto as crianças assistem. A cena é simples, crua e acima de tudo, corajosa, coragem esta que infelizmente não perpassa toda a condução. Com esta cena de abertura, Fennel já coloca em evidência que seu filme será uma adaptação mais “pessoal”(ou autoral) e com aspectos anacrônicos, apesar de ser um filme de época que se passa no século 19. 

A trilha musical moderna de O Morro dos Ventos Uivantes funciona para estabelecer uma espécie de caixa de brinquedos da diretora, a direção de arte deixa claro que a maior preocupação não é com fidelidade histórica e sim com o estilo e o tom altamente sensual do longa. Na primeira metade  o estilo que mistura o clássico e o moderno funciona pois mostra os eventos com agilidade e seus personagens tem sua personalidade e motivações bem estabelecidas através de  cenas que jogam a trama para frente sem enrolações. O jogo de poder e sexo entre Cathy e Radclif também é interessante, porém na segunda metade o longa parece se perder nos exageros visuais, a montagem fica frenética a ponto de lembrar um feed do tiktok. 

 Um dos melhores aspectos do filme é a fotografia, que aposta em muito uso de texturas, fumaça, névoa, reflexos em um chão coberto de sangue e filma fluidos de forma quase apaixonada. A  iluminação  exalta a cenografia propositalmente contemporânea. Essa fotografia consegue dar unidade ao aspecto gótico e antigo e para o eletrizante e moderno, e por mais críticas que o filme tenha recebido por esta decisão, definitivamente foi uma das mais acertadas e de fato corajosas.

FINAL EXPLICADO de O Morro dos Ventos Uivantes (2026)
O Morro dos Ventos Uivantes

Um certo discurso anti sexo no cinema está em voga, com isso ficou muito fácil apontar qualquer cena mais picante em algum filme e acusa-lo de diversas coisas baseadas em moralismo barato, O Morro dos Ventos Uivantes parece querer dobrar a aposta e atingir este público com força com o objetivo de confronto,, mas o problema desse aspecto no filme não são as cenas mais pesadas de amor, e sim como a direção filma tais momentos da forma mais boba, infantil e cheia de pudor possível, usando muitas metáforas visuaus extremamente didáticas, ela provoca a audiência de uma forma quase ingênua, as cenas mais sutis e cruas são as que melhor funcionam, mas na maior parte de tais momentos parecem demasiadamente encenados e exagerados, quase como se tivessem saído das páginas de alguma fanfic adolecsente.

E mesmo de forma tão explícita, o longa de 2026 tem menos sensualidade real, do que o próprio livro do século 19. Este é mais um filme pseudo autoral,  que existe para agradar uma necessidade algorítmica, parece que alguém digitou um prompt para uma IA generativa misturar Saltburn com o morro dos ventos uivantes. Soa artificial, ingênuo mas que com certeza vai agradar a um público acostumado a receber doses diárias de dopamina sem muitos questionamentos. 

O Morro dos Ventos Uivantes tem sim seus méritos onde menos se espera, mas a busca incessante por ser um hit entre a juventude faz com que este seja um filme que da metade pro final parece querer acabar com as próprias qualidades que construiu em alguns aspectos técnicos e em sua primeira parte. Este  tenta ser o novo “Maria Antonieta”, mas Emerald Fennell precisa lembrar que  não tem o mesmo talento e sensibilidade  que Sofia Coppola.

Por Tiago Maia.