Invocação do Mal 4: O Último Ritual é, sem dúvidas, o filme menos esperado da franquia na última década. Seja por um marketing confuso e quase inexistente, um roteiro preguiçoso ou pelo simples cansaço com a franquia, o resultado é um longa que parece feito apenas para cumprir tabela.
A direção é genérica, com planos pouco criativos e até mal executados, transformando a experiência em uma espécie de monólogo visual. O roteiro segue a mesma linha, explicando tudo o que acontece na tela de forma exaustiva. A tentativa de não deixar pontas soltas gera ainda mais inconsistências. O excesso de explicações lembra os filmes de Christopher Nolan, mas aqui o efeito é cansativo e sem propósito.

Boa fotografia e atuações que estão acima do roteiro
Um dos poucos méritos está na fotografia. Cada take, ainda que genérico, é iluminado com cuidado e funciona na maior parte do tempo. No entanto, no auge da narrativa, o filme abandona os planos longos e detalhados para investir em cortes rápidos, close-ups sufocantes e plongées repetitivos. A intenção é criar opressão, mas o resultado pouco acrescenta.
O tom do filme migra do terror tradicional para um suspense com toques de horror, funcionando mais como homenagem ao gênero do que como narrativa sólida. É mais fácil encontrar referências escondidas do que diálogos coerentes. Mesmo assim, o elenco se esforça e entrega boas atuações, com destaque para Patrick Wilson como Ed Warren – ainda que em desempenho abaixo dos filmes anteriores. O problema é que tudo aqui parece melhor em produções passadas, deixando “O Último Ritual” como apenas mais um título no calendário anual de terror.
Nem tudo é negativo: o personagem Tony, vivido por Ben Hardy, surpreende positivamente. Embora inserido de forma um tanto estranha, ele não se torna um coadjuvante descartável. Ao contrário, sua presença contribui para o andamento da trama, algo raro em adições recentes de personagens na franquia.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual é uma perda de identidade?
No fim, “Invocação do Mal 4” perde a essência que consagrou a franquia. O terror foi trocado por suspense com sustos ocasionais, algo que pode não agradar a todos. Ainda assim, há quem encontre interesse no enredo – mesmo que mal escrito – graças ao empenho do elenco. O saldo final, no entanto, é amargo: um filme sem sabor, sem ânimo e que passa a sensação de apenas marcar o encerramento da saga.
Por Lanna Félix.
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