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A Hora do Mal, novo filme de Zach Cregger A Hora do Mal, novo filme de Zach Cregger

A Hora do Mal é belo de se ver, mas desastroso de assistir

Com Josh Brolin e Julia Garner, o filme tem direção de Zach Cregger – que comandou “Noites Brutais”

A Hora do Mal (“Weapons”, no original) é um remendo mal-acabado de todos os filmes de terror famosos dos últimos anos. Falha miseravelmente em se diferenciar, mesmo sem nunca ter prometido ser original. Há uma prepotência irritante em sua abordagem do gênero – às vezes funciona brilhantemente, mas na maioria das vezes não, deixando um saldo negativo.

Do início ao fim, o filme não constrói credibilidade ou seriedade. É um erro de tom que reverbera em todos os aspectos, da direção ao figurino, exceto pela direção de fotografia e pelo roteiro, que se salvam.

A fotografia é excepcional. A maneira como o filme é capturado responde perfeitamente à pergunta: “Como seriam os filmes dos anos 70 filmados com tecnologia atual?”. Os planos são executados com uma estética vintage, repletos de sequências com câmera na mão que remetem a “Psicose” ou “O Massacre da Serra Elétrica”. Cada cena possui uma composição única, mesmo quando a direção a torna entediante por conta das atuações fracas.

Há planos ousados, longos takes e um uso da escuridão que não é apenas breu — Larkin Seiple, o diretor de fotografia, quer que você entenda que nas sombras não há refúgio, só o mal. Ao contrário de outros filmes que mergulham a tela em trevas impenetráveis, aqui a iluminação revela o terror. E isso, de fato, não é um defeito. O problema está no elenco, começando pela escolha equivocada de Julia Garner (que também estrelou recentemente o terror “Lobisomem” – leia a crítica) como protagonista.

Josh Brolin é o único que entrega algo consistente. Como um pai enlutado (não é spoiler — está no trailer), ele transmite uma dor convincente. É quase constrangedor vê-lo dividir cena com Garner, cuja performance se resume a expressões de enjoo ou olhos arregalados — sem medo, sem tensão. O restante do elenco oscila entre o medíocre e o dolorosamente ruim. O diretor não soube extrair o mínimo de seus atores, e até Brolin, sendo o melhor em cena, poderia ter sido mais exigido.

A personagem Gladys Lilly, interpretada por Amy Madigan, é uma cópia grosseira e ofensiva de “Longlegs”. Repete dois erros graves: primeiro, a representação do “mal” como algo andrógino e queer exagerado — um preconceito recorrente em Hollywood. Segundo, o clichê de esconder o vilão até o final. Gladys só aparece de fato no último ato, e quando finalmente surge, já não há mais interesse. Esse truque de “mostrar pouco” já estava ultrapassado nos anos 80.

Julia Garner e Josh Brolin em “A Hora do Mal”. Crédito: Warner Bros.

“A Hora do Mal”: um bom roteiro preso em mãos erradas?

O roteiro, por outro lado, é bem construído. Poucos furos, estrutura sólida — mas que se torna arrastada por culpa das atuações. Os diálogos não são o problema; são os intérpretes que os arruínam. O filme é mais visual e sonoro do que dialógico, o que poderia ser uma virtude se o restante funcionasse. É frustrante, porque mesmo entediado, você ainda quer saber como a história termina. O maior paradoxo é que o roteirista é o próprio diretor, Zach Cregger – que comandou “Noites Brutais“. Alguém deveria ter lhe dito para não assumir as duas funções.

“A Hora do Mal” não é um filme ruim, apenas medíocre. “Desnecessário” talvez seja um exagero, mas “desperdiçado” se encaixa perfeitamente. A premissa era ótima; a execução, falha. Deixa um gosto amargo, mas, como objeto de estudo, tem valor. Há lições técnicas aqui que provavelmente o tornarão um filme cult no futuro. Isso, claro, não o torna bom (vide “Donnie Darko”).

Se for assistir, que seja no cinema: a tela grande valoriza a fotografia. E vá sem grandes expectativas — isso pode torná-lo, no mínimo, divertido. “A Hora do Mal” estreia em 7 de agosto.

Por Lanna Félix.