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Exit 8 (2025) | Crítica do filme baseado no jogo indie Exit 8 (2025) | Crítica do filme baseado no jogo indie

Exit 8 (2025) | Crítica do filme baseado no jogo indie

Um dia comum, você tá indo para o trabalho e entra em um corredor do metrô aparentemente comum e percebe que ficou preso em um looping infinito nesse maldito corredor, onde a única saída depende de sua capacidade de notar pequenas diferenças no cenário. Basicamente, essa é a premissa de “Exit 8”, filme do diretor japonês Genki Kawamura que adapta o jogo independente de 2023.

A produção, que marcou história ao ser possivelmente a primeira adaptação de game a estrear no Festival de Cannes, chega em abril aos cinemas brasileiros como uma experiência que mescla um suspense psicológico numa angústia perdida sobre escolhas e ciclos.

No centro da trama acompanhamos um personagem sem nome, interpretado pelo astro do J-pop Kazunari Ninomiya (de “Cartas de Iwo Jima”). Após testemunhar uma cena desconfortável no trem e receber uma ligação angustiante de sua ex-namorada grávida, ele se vê preso nos corredores subterrâneos brancos, onde placas amarelas prometem uma saída que nunca chega.

O personagem precisa caminhar por túneis aparentemente iguais, identificando “anomalias”, que são pequenos detalhes fora do lugar, como um pôster diferente ou uma porta que não estava ali antes. Se algo estiver errado, ele deve voltar. Se tudo parecer normal, deve seguir em frente. O objetivo? Alcançar a saída 8 e escapar dessa dor de cabeça.

Kawamura, conhecido como produtor das ótimas animações “Your Name” e “Suzume”, além do drama “A Hundred Flowers” (sua estreia na direção), adapta o jogo de uma maneira que pode desagradar muitos espectadores. Em vez de apostar em sustos fáceis, ele constrói um desconforto gradual, com a fotografia clara e quase clínica de Keisuke Imamura sendo um dos maiores pontos do filme.

Habitantes, simbolismo e a música

O filme expande o jogo original ao introduzir outros personagens presos no loop. Além do personagem de Kazunari Ninomiya, também temos o homem bizarro que só anda (interpretado por Yamato Kochi), e a garota de uniforme (vivida por Kotone Hanase), que traz reflexões sobre a repetição da vida. Mais do que meros coadjuvantes, eles revelam que o labirinto pode ser um espaço de purgação moral, onde cada um enfrenta seus próprios dilemas éticos.

A escolha musical é uma declaração de intenções. O filme traz “Boléro” de Maurice Ravel, uma melodia se repete incessantemente enquanto os instrumentos variam (uma metáfora para a estrutura do filme, onde o cenário é o mesmo, mas as pequenas mudanças carregam todo o significado?). O próprio número 8, quando deitado, forma o símbolo do infinito. Kawamura insere referências sutis a Dante e imagens de conchas e espirais, o que pode divertir sem exigir respostas definitivas.

O Significado do final em “Exit 8”

Com 95 minutos de duração, o longa é eficiente e não se arrasta muito. Um dos pontos negativos é a construção um tanto que abobalhada do protagonista, com decisões que podem irritar qualquer um.

“Exit 8” não é um filme sobre respostas, mas sobre percepção. Em um mundo cada vez mais padronizado e conformista, a mensagem do diretor sobre romper ciclos viciosos abraça uma normativa não usual. A saída pode estar justamente naquilo que não se encaixa.