[COSMO] Topo Home e Posts
Coração Partido (2026): um dark romance adolescente que não convence Coração Partido (2026): um dark romance adolescente que não convence

Coração Partido (2026): um dark romance adolescente que não convence

Adaptação do romance da escritora russa Anna Jane chega em 20 de agosto aos cinemas

O mundo dos dark romances cresce a cada dia que passa, e trago aqui para vocês uma nova trama: a protagonista não é uma jovem comum. Após várias humilhações, ela conhece um rico poderoso e desconfiado que não quer ninguém por perto; todavia, nossa mocinha desperta nele uma atração e seus instintos mais selvagens. Não, não estou falando da grande obra da literatura “A vaca leiteira e o fazendeiro bilionário”. A história em questão é Coração Partido (2026), adaptação cinematográfica do romance da escritora russa Anna Jane e dirigido por Mark Vanyberg.

O longa acompanha Polina (Veronika Zhuravleva), aluna novata do ensino médio que, ao sofrer chacotas e intimidações por parte do grupo “popular” da escola, une-se ao misterioso Bars (Daniel Vegas), o bad boy, fingindo que estão em um namoro enquanto ela faz suas lições de casa. Detalhe: essa é só a introdução do filme, porque depois surgem outras histórias, mas isso é conversa para depois.

A trama parece um grande remendo de outras adaptações de romances adolescentes: o protagonista rebelde que se envolve em corridas clandestinas (franquia “Minha Culpa”), a mocinha que se aproveita da vizinhança para bisbilhotar o crush (o filme “Através da Minha Janela”) e o tão em voga fake dating (a série “Off Campus – Amores Improváveis“), entre outras obras que talvez eu tenha esquecido de referenciar.

A adaptação de “Coração Partido” funciona?

Foram duas horas e catorze minutos de filme e, até agora, não consegui entender o ponto central da trama. A adaptação de “Coração Partido” apresenta pelo menos quatro enredos. Além do que foi mencionado na introdução do texto, temos o conflito entre Polina e seu padrasto (interpretado por Pavel Kuzmin), que é um lixo de personagem, por sinal; o imbróglio do padrasto com os filhos dele; e as constantes discussões entre Bars e seu bilionário (e talvez mafioso) pai ausente. Ademais, os personagens não possuem o menor carisma, tanto que uma das amigas de Polina sumiu sem a menor explicação e não sentimos falta, sem falar no casal principal, que tem menos química do que meu cabelo.

Mas nem tudo foi um completo desastre: é bom ver um filme de adolescente em que os personagens, de fato, parecem ser adolescentes. Além disso, foi absolute cinema o momento em que secaram o chão com dois míseros guardanapos e, claro, a cena do Bars, enquanto Polina o observava da janela, agindo tão naturalmente quanto um modelo da Calvin Klein — só faltou a música “EoO” do Bad Bunny ao fundo: “Perreo, baby, sobeteo, baby, tra-tra, baby, hasta abajo, baby.”

As adaptações dos romances voltados para a geração Alfa (nascidos a partir de 2010) tendem a continuar, afinal, já tivemos algumas produções bem-sucedidas, como “Off Campus – Amores Improváveis” (Prime Video) e “Heartstopper” (Netflix). Talvez seja uma forma de reproduzir o que funcionou para a geração Z: “Jogos Vorazes”, “A Culpa é das Estrelas”, “As Vantagens de Ser Invisível” e “Crepúsculo” (o Robert Pattinson é casado comigo até hoje nos meus pensamentos).

Não sei se é promessa ou ameaça, mas “Coração Partido” deixou a porta aberta para uma continuação (pelo amor de Deus, não!). O filme estreia dia 20 de agosto nos cinemas.

Por Isa Ramalho.