Cloud – Nuvem de Vingança que chega aos cinemas do Brasil com direção e roteiro de Kiyoshi Kurosawa. Vendido aqui como candidato do Japão ao Oscar, eleito como um dos melhores filmes dos últimos anos por um site famoso e gabaritado por um diretor apelidado de “Mestre do Terror”, trata-se de um filme dotado de boas ideias – mas que não escapa de algumas merecidas críticas.
Agendado para 17 de julho nos cinemas brasileiros, Cloud acompanha Yoshii (Masaki Suda), um jovem trabalhador de uma fábrica que faz bicos em um e-commerce, comprando produtos a preços baixíssimos para inflacionar o mais alto possível valor de venda – e o negócio está indo bem, a ponto de Yoshii pedir demissão de seu emprego regular para ir morar num local isolado com sua namorada e futura espora, ansiosa para que cheguem os dias que a possibilite gastar como madame.
Essa prática de comércio, no entanto, envolve muita humilhação na compra (ao oferecer migalhas para comprar o estoque de empresas financeiramente comprometidas) e na venda (Yoshii não se importa em ofertar produtos “milagrosos” ou mesmo falsificados), então fica evidente que o jovem está criando uma verdadeira rede de inimizades em torno do seu nome de usuário no e-commerce, Ratel. E essa galera quer vingança.
Cloud tem premissa interessante… mas e o resto?
Ainda que traga ao debate discussões a respeito da índole humana, principalmente com o mundo on e off-line sendo basicamente o mesmo, e expandindo a conversa para como as novas gerações prezam muito mais por soluções aparentemente fáceis a despeito do caminho consensualmente correto (como largar o emprego e uma oferta de aumento de salário em prol de um comércio próprio cheio de contravenções), Cloud – Nuvem de Vingança acaba perdendo a mão legal do que podemos chamar de uma história bem contada.
Alguns pontos dignos de crítica negativa colocam em cheque, inclusiva, o entendimento do diretor e roteirista a respeito de como funcionam as coisas no dia de hoje. Ora, se o protagonista tem como propósito o lucro acima de qualquer coisa, enganando muita gente no processo, por que diabos ele vai manter o mesmo usuário dentro do e-commerce?
A construção da narrativa, por sua vez, também não escapa da crítica. Kurosawa trabalha até que bem o desenvolvimento de Yoshii até certo ponto, indicando que a segunda metade do filme estaria de acordo com a crescente tensão em tela, mas o que acabamos presenciando é uma desconexa sessão de bang bang com cenas inverossímeis compostas por personagens assemelhados à IA de qualquer jogo de videogame vagabundo.
Cloud – Nuvem de Vingança vale à pena?
Se você busca uma trama bem amarrada e impactante, Cloud é uma produção que vai te deixar na mão. Porém, indo de coração aberto e encarando o mundo apresentado como algo paralelo à nossa realidade, conferindo assim um sutil toque cômico à obra (que se sairia muito melhor abraçando a vertente do humor), pode ser que o filme tire boas risadas de você.
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