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Verdade e Traição (2026): um filme que inspira resistência Verdade e Traição (2026): um filme que inspira resistência

Verdade e Traição (2026): um filme que inspira resistência

“Verdade e Traição” (Truth and Treason, 2026) é um filme dirigido por Matt Whitaker baseado em uma história real do período da Alemanha fascista da Segunda Guerra Mundial. Neste período, quatro jovens amigos vivem a vida despreocupadamente, mesmo com assédios do grupo Juventude Hitlerista. Helmuth (Ewan Horrocks), um dos garotos, é um prodígio que acaba de ser recrutado para participar de uma instituição oficial local do governo, sendo o mais jovem estagiário a ocupar o cargo. Sua família se orgulha e todos o incentivam.

Um de seus amigos, Salomon Schwarz (Nye Occomore), é judeu de origem alemã e, com o acirramento da guerra, a igreja em que frequentavam juntos proíbe a presença de judeus. Não demora para Salomon ser capturado pelo governo e ser levado para um campo de concentração, fazendo com que Helmuth comece a ver o governo tirano como algo de fato a ser combatido. Com acesso a transmissões de rádio clandestinas e livros proibidos que ficavam guardados no porão de seu trabalho, Helmuth começa a escrever panfletos contra o regime e a espalhá-los pela cidade, logo contando com a ajuda de seus outros dois amigos, Karl-Heinz (Ferdinand McKay) e Rudi (Daf Thomas).

Arriscando seu pescoço por um gesto político que pode ser julgado como inócuo, em certo sentido pueril, o de querer mudar uma guerra inteira com pedaços de papel escritos com o protesto de um jovem, reverberando tão somente na ação da polícia que buscou capturar os dissidentes, esse gesto tão simples, que é uma “traição” que contém tanta verdade, nos faz refletir: é uma história real que se tornou filme quase 40 anos depois; isso é um grande feito! O que podemos fazer em nosso mundo que ecoe e que faça a diferença também?

Verdade e Traição: terrorismo e antissemitismo

Nesta semana, a deputada Tabata Amaral apresentou um projeto de lei para definir antissemitismo com a finalidade de instruir as políticas públicas nacionais, nos parâmetros internacionalmente reconhecidos pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), criada pelo Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto. Dois incisos da lei chamaram bastante a atenção:

“§ 2º Manifestações de antissemitismo podem ter como alvo o Estado de Israel, encarado como uma coletividade judaica.
§ 3º Críticas a Israel que sejam semelhantes às dirigidas contra qualquer outro país não podem ser consideradas antissemitas.”

Então, com tal lei, não poderemos mais atacar o Estado sionista de Israel? Qual outro lugar comete apartheid e tem um genocídio em curso? Não podemos comparar porque não existe em outros países? É preciso, claro, não confundir o sionismo como movimento político com o judaísmo como fundamento religioso, mas as políticas de estado estão aí para todos observarem. E para completar, continuarei minha digressão do objeto original do texto: Israel acaba de aprovar a pena de morte por enforcamento para “terroristas” palestinos. O termo “terrorista” não é bem disposto; ele é melindroso, muita coisa pode caber debaixo desse guarda-chuva, mas o termo “palestino” é direto ao ponto: a lei fala sobre uma etnia, um grupo, não sobre uma tipologia de crime. É a desculpa ideal para matar sem pudor quem foi capturado e está longe de seu povo. Pois bem: onde eu quero chegar com isso, depois de metade de um texto não falar sobre o filme em pauta?

É porque “Verdade e Traição” me inspirou a chegar até aqui e a escrever essa mensagem. Quem sabe eu não o imprima e saia pregando em praças, ruas e igrejas para outras pessoas lerem? Esse tipo de gesto ingênuo de quem acha que vai mudar o mundo com papéis coloridos. Quem sabe lá em Israel alguém leia esse texto e resolva se inspirar e colocar papéis também. Minha parte eu já fiz, e existe muita honra em ter o compromisso com a verdade; o que for considerado como “traição” será julgado pela história.

Por Hélio Mesquita.