O ator britânico Ray Winstone (“Os Infiltrados”), durante o Festival de Cinema de Sarajevo onde recebeu o Honorary Heart of Sarajevo por contribuições excepcionais ao cinema, criticou as mudanças na indústria cinematográfica, afirmando que ela “se tornou um negócio”. Winstone destacou a diferença entre blockbusters da Marvel e o que chama de “filmes culturais”: “Tudo se resume a vender ingressos. Há espaço para [a Marvel], é divertido, mas isso dificulta a produção de filmes culturais, que são melhores para os atores e oferecem ótimas oportunidades de atuação”.
O ator revelou sua experiência frustrante nas refilmagens de “Viúva Negra” (2021), onde interpretou o vilão Dreykov: “Trabalhamos com a incrível diretora Cate Shortland e criamos um personagem como um pedófilo que controlava as viúvas negras. Éramos aplaudidos no set. Mas ao voltar para refilmar todas as cenas, me senti rejeitado – não há nada pior do que fazer algo, deixar na montagem e depois te dizerem que não está certo”.
Winstone também criticou a obsessão por redes sociais no casting: “Se você não está nas redes sociais, podem nem considerar você para um filme, porque querem que você já traga uma base de fãs. Você tem que entrar no Instagram, e eu não quero entrar na porra do Instagram”. Outra mudança que lamenta é a perda do contato pessoal entre diretores e atores: “O casting hoje é diferente. Diretores não encontram mais atores; tudo é feito por telefone. A química entre diretor e ator é crucial, e estamos perdendo isso”.
O ator elogiou trabalhos independentes como “Nil by Mouth” (1997) de Gary Oldman (“o melhor diretor com quem já trabalhei”) e “Sexy Beast” (2000) de Jonathan Glazer (“Shakespeare moderno”), destacando a importância de filmes que retratam realidades sociais. Sobre “Beowulf” (2007) de Robert Zemeckis, descreveu a experiência como “teatro no cinema” e brincou sobre trabalhar com Angelina Jolie: “Que atriz. Não é só bonita, mas sabe atuar. E beija bem também”.
Atualmente, Winstone está envolvido na nova temporada de “Magnatas do Crime” (Netflix) de Guy Ritchie e na cinebiografia de Jimmy White com Aneurin Barnard, que está em fase de edição.
via Variety.
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