O filme coreano Ruídos (Noise, 2024), dirigido por Kim Soo-jin e escrito por Lee Je-hui, chega aos cinemas brasileiros em 9 de outubro, distribuído pela A2 Filmes. O longa combina terror psicológico e sobrenatural para retratar como sons cotidianos podem se transformar em instrumentos de medo e paranoia. Mas por trás das camadas de horror acústico, o filme esconde uma história sobre trauma, isolamento e o colapso emocional de uma comunidade. A seguir, entenda em detalhes o desfecho de Ruídos e o destino de Ju-hee, a irmã desaparecida que impulsiona toda a narrativa. Confira o final explicado do terror.
O enredo de Ruídos: quando o som vira ameaça
A trama acompanha Joo-young (Lee Sun-bin), uma mulher com deficiência auditiva que se muda com a irmã mais nova, Ju-hee, para um novo apartamento. O prédio, de aparência comum, abriga tensões silenciosas entre vizinhos e ruídos constantes vindos de todos os lados.
O som — tema central do filme — é transformado pela direção de Kim Soo-jin em algo quase tangível. Os ruídos de passos, pancadas e vozes distorcidas tornam-se presença física, afetando o equilíbrio psicológico das moradoras.

Logo, Ju-hee passa a se fixar nesses barulhos misteriosos. Ela acredita que há algo vivo entre as paredes e sob o piso. Ninguém leva suas queixas a sério, nem mesmo Joo-young, que tenta seguir a vida no dormitório do trabalho. Mas tudo muda quando Ju-hee desaparece sem deixar vestígios, forçando a irmã a retornar ao apartamento para investigar o que aconteceu.
O homem do 504 e o prédio amaldiçoado de Noise
De volta ao edifício, Joo-young encontra o vizinho do apartamento 504, um homem instável que insiste em culpá-la pelos ruídos. Sua presença agressiva reforça o clima de paranoia. Quando ele morre tragicamente ao cair da janela, o incidente expõe um histórico de violência no local e desperta suspeitas sobre os outros moradores.
A presidente do condomínio e um grupo de vizinhos pedem que Joo-young pare de procurar por respostas, alegando que todos que moraram no 604 — o apartamento das irmãs — enlouqueceram. Aos poucos, a protagonista descobre que o edifício tem um passado sombrio, com casos de assassinato, suicídio e desaparecimentos nunca resolvidos.
Uma vizinha do 804 revela que a antiga presidente do prédio havia sido atacada por um morador do 604 anos antes, após semanas de conflito por causa dos barulhos. A história se repete em ciclos, sugerindo que algo mais profundo e sobrenatural habita o edifício.
O porão e o segredo enterrado
Determinada a seguir as pistas, Joo-young desce ao porão, uma área abandonada usada como depósito de lixo. O local, fétido e abafado, funciona como metáfora para o inconsciente coletivo do prédio — o lugar onde todos os pecados e ressentimentos são escondidos.
Ali, ela encontra vestígios do antigo inquilino do 604, que desapareceu misteriosamente. Seu corpo está em decomposição, e o ambiente parece tomado por uma energia maligna. Quando o namorado de Ju-hee, Ki-hoon, tenta ajudá-la, acaba possuído por essa força invisível e ataca a protagonista.
A sequência transforma o porão em uma espécie de portal, um espaço onde a fronteira entre realidade e assombração deixa de existir. É nesse ponto que o filme passa de um drama psicológico sobre vizinhos barulhentos para um terror sobrenatural pleno.
A revelação do filme: quem estava por trás dos ruídos?
O momento decisivo acontece quando Joo-young encontra a câmera quebrada da irmã e acessa a gravação final de Ju-hee. No vídeo, a jovem invade o apartamento 804 e descobre que a mulher que mora ali instalou diversos dispositivos acústicos escondidos nas paredes — alto-falantes de superfície usados para gerar ruídos que ecoam pelo prédio.
Esses sons não eram sobrenaturais no início: eram produzidos artificialmente pela mulher do 804, que desejava enlouquecer os vizinhos que a incomodavam. Porém, a gravação mostra também que a moradora havia perdido a filha pequena em um acidente. A menina morreu atropelada por uma van de entrega depois que os vizinhos reclamaram do barulho de seus passos. Consumida pela culpa, a mulher passou a usar os sons para “falar” com a filha morta, acreditando que ainda podia ouvi-la.
Ju-hee testemunha a cena e tenta fugir, mas é brutalmente atacada e morta pela vizinha. Essa é a verdade que o vídeo revela — e que Joo-young não queria aceitar.
Final de Noise: Ju-hee estava viva?
Ao assistir à gravação, Joo-young acredita ouvir a voz da irmã chamando por ajuda e desce novamente ao porão. Lá, ela tem a ilusão de encontrar Ju-hee viva, amarrada e ferida. Mas, à medida que o confronto com a mulher do 804 se intensifica, fica evidente que o reencontro não é real.
Durante a luta final, a assassina confessa sua culpa e é morta quando o cadáver da antiga presidente despenca do alto, esmagando-a. Joo-young escapa e tranca a porta do porão, deixando a vizinha morrer lentamente — assim como as vítimas anteriores.
O filme termina com um salto temporal. Uma nova moradora se muda para o 704 e conhece Joo-young, que parece estar levando uma vida normal. Mas ao entrar no apartamento, o público percebe o detalhe crucial: Joo-young age como se Ju-hee ainda estivesse viva, falando e se movendo ao lado dela, enquanto a nova vizinha observa um espaço vazio.
Ju-hee estava morta desde o desaparecimento. As aparições da irmã ao longo do filme foram fruto de alucinações, de trauma e, possivelmente, de uma influência sobrenatural do prédio.
O Final Explicado de Ruídos (Noise)
O final de Ruídos une horror psicológico e sobrenatural para sugerir que o som — e o trauma que ele carrega — nunca desaparece completamente. O ruído é tanto literal quanto simbólico: representa a culpa coletiva e o eco das tragédias que se acumulam em um mesmo espaço.
O ciclo de violência entre vizinhos, o descaso das autoridades e a obsessão por silenciar o outro refletem uma sociedade sufocada por ruídos externos e internos. A reconstrução do prédio, proposta pela presidente antes de morrer, surge como uma metáfora para a tentativa de apagar o passado, mas o filme questiona se é realmente possível construir algo novo sobre fundações contaminadas.
No último diálogo, quando Joo-young aconselha a nova vizinha a “ignorar os barulhos”, o aviso assume duplo sentido. Por um lado, é uma recomendação prática; por outro, é uma confissão trágica. Ignorar o ruído é o que todos fizeram — e foi exatamente isso que perpetuou a maldição.
Assim, Ruídos encerra sua narrativa com um eco que não se cala: o som da dor humana, preso entre paredes que nunca deixam de escutar.
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