Entre Montanhas (The Gorge, 2025), longa dirigido por Scott Derrickson e estrelado por Miles Teller e Anya Taylor-Joy, começa como um thriller militar envolto em mistério, mas rapidamente revela uma mistura de romance, terror, ficção científica e conspiração corporativa. Ao longo da narrativa, a produção da Apple TV esconde a verdadeira natureza do desfiladeiro, transformando sua revelação no principal ponto de virada da história.
Mas afinal, o que realmente existe naquele lugar? O que representam as criaturas? E por que o final escolhe um desfecho otimista para Levi e Drasa? Confira a explicação.
O que existe dentro do desfiladeiro de The Gorge?
Durante boa parte de Entre Montanhas, Levi e Drasa acreditam que sua missão consiste apenas em impedir que qualquer coisa escape da gigantesca ravina. O local é apresentado quase como um portal para o inferno, cercado por uma névoa permanente e protegido por duas torres de vigilância posicionadas em lados opostos.
A verdade, porém, é bem diferente.
Quando Levi cai no interior do desfiladeiro e Drasa salta para resgatá-lo, ambos descobrem que o local abriga os resultados de experimentos biológicos realizados décadas antes. O ambiente tornou-se um gigantesco ecossistema mutante, onde seres humanos, plantas, insetos e animais tiveram seu DNA fundido de maneira grotesca.
Scott Derrickson optou por fugir do tradicional exército de zumbis. Em vez disso, criou criaturas inspiradas no horror folclórico, misturando elementos vegetais e orgânicos para construir uma ameaça única. As árvores parecem vivas, raízes atacam como predadores e os chamados “Homens Ocos” representam o estágio mais avançado dessa mutação.
Esses monstros não são apenas inimigos genéricos. Eles simbolizam pessoas consumidas por um segredo que permaneceu escondido durante décadas.
Quem são os Homens Ocos de Entre Montanhas?
O filme sugere que muitas dessas criaturas foram soldados enviados anteriormente para destruir o que existia no interior do desfiladeiro.
Ao entrarem em contato com o organismo biológico presente na região, acabaram sendo infectados e transformados em híbridos entre seres humanos e vegetação. Alguns permanecem parcialmente conscientes, enquanto outros se tornam predadores completamente dominados pelo instinto.
Originalmente, Scott Derrickson pretendia revelar que o líder dessas criaturas era Bradford Shaw, primeiro vigia da Torre Oeste. Entretanto, essa informação acabou sendo removida durante a montagem porque desviava a atenção da relação entre Levi e Drasa.
A decisão tornou o mistério mais eficiente. O espectador compreende a origem das criaturas sem que o filme precise explicar absolutamente todos os detalhes.

O verdadeiro significado do desfiladeiro de Entre Montanhas
Embora o cenário funcione como palco para cenas de ação e horror, o desfiladeiro possui um significado muito maior.
Durante toda a história de Entre Montanhas, Levi é apresentado como um homem incapaz de estabelecer vínculos emocionais. O trauma acumulado ao longo da carreira militar fez com que ele enterrasse sentimentos, culpa e sofrimento.
Drasa, por outro lado, demonstra maior equilíbrio emocional porque aprendeu desde cedo a compartilhar sua dor com o pai, alguém que funcionava quase como um confessor.
Nesse contexto, o desfiladeiro representa tudo aquilo que permanece escondido.
Os monstros simbolizam segredos enterrados por tempo demais. Quanto mais tempo permanecem ocultos, mais perigosos se tornam.
Essa metáfora também aparece na própria missão dos protagonistas. Eles passam meses isolados, proibidos de criar qualquer tipo de relacionamento. Ainda assim, acabam desafiando as ordens e descobrem que justamente a conexão humana é capaz de romper o ciclo de destruição.

A conspiração envolvendo Bartholomew
A grande antagonista do filme não é exatamente uma criatura.
Bartholomew, personagem vivida por Sigourney Weaver, representa a face corporativa da operação.
Ela supervisiona o isolamento do desfiladeiro porque acredita que os organismos encontrados ali possuem enorme valor científico e militar. Em vez de destruir completamente aquela ameaça, a organização prefere mantê-la confinada para continuar estudando seu potencial.
O filme faz uma crítica à privatização dos conflitos militares e à influência de grandes empresas em operações secretas.
Bartholomew não age movida simplesmente pela ganância. Ela acredita sinceramente que preservar aquelas pesquisas poderá beneficiar a humanidade no futuro, ainda que isso custe inúmeras vidas.
Essa ambiguidade torna a personagem mais interessante do que um vilão convencional.

Como Levi e Drasa conseguem sobreviver em Entre Montanhas?
Depois de enfrentarem sucessivas ondas de criaturas mutantes, Levi e Drasa descobrem que a única maneira de impedir novas infecções é destruir toda a instalação responsável pelos experimentos.
Eles conseguem provocar uma enorme explosão que elimina tanto o complexo subterrâneo quanto a estrutura utilizada para manter o projeto funcionando.
Ao escaparem do desfiladeiro, também enfrentam Bartholomew, encerrando definitivamente décadas de acobertamento.
Mais importante do que derrotar os monstros, ambos conseguem superar seus próprios bloqueios emocionais.
Levi finalmente admite seus sentimentos por Drasa, encerrando o arco de um personagem que passou toda a vida tentando sufocar qualquer ligação afetiva.

Por que o final de The Gorge é feliz?
Após destruírem o desfiladeiro, Levi e Drasa seguem caminhos diferentes por um breve período.
Mais tarde, porém, o filme mostra o reencontro dos dois no sul da França, confirmando que finalmente poderão viver longe da violência e das missões que definiram suas vidas.
Segundo Scott Derrickson, essa sempre foi a essência da história.
Embora Entre Montanhas seja vendido como um thriller de ficção científica, o diretor considera o romance o verdadeiro gênero predominante do filme. Terror, ação e conspiração apenas servem como pano de fundo para a trajetória de duas pessoas emocionalmente destruídas que encontram uma oportunidade de reconstrução.
Durante o desenvolvimento do roteiro, foram discutidas versões muito mais sombrias para o encerramento. Uma delas mostrava os protagonistas juntos em um cemitério, criando um clima agridoce. Outra cogitava que um dos dois fosse infectado pelas mutações do desfiladeiro, obrigando o outro a sacrificá-lo.
Essas possibilidades acabaram descartadas porque enfraqueciam a mensagem central da obra.
Depois de enfrentarem monstros, segredos militares e seus próprios traumas, Levi e Drasa precisavam receber uma recompensa emocional. O final feliz reforça justamente essa ideia: o maior obstáculo nunca foi sobreviver às criaturas do desfiladeiro, mas aprender a confiar em outra pessoa novamente.
Assim, Entre Montanhas encerra sua narrativa mostrando que o verdadeiro abismo nunca esteve apenas naquela gigantesca ravina. Ele existia dentro dos próprios protagonistas, separados por anos de dor, isolamento e culpa. Ao atravessarem esse vazio juntos, eles finalmente conseguem deixar para trás não apenas os monstros, mas também o peso do passado.
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