A história bíblica de Lázaro de Betânia e a trama da série Lázaro (Prime Video) compartilham, em plano simbólico, temas de morte, retorno e transformação. No Evangelho de Jesus Cristo, Lázaro, irmão de Marta e Maria de Betânia, vive em Betânia, próxima a Jerusalém, e enferma gravemente.
Suas irmãs enviam um recado dizendo: “Senhor, aquele que tu amas está enfermo”. Jesus retarda a chegada e, finda a espera, ele já está morto há quatro dias. Jesus ordena: “Lázaro, sai para fora!”, e ele ressuscita, envolto nas faixas do sepulcro. Esse milagre simboliza o poder de vida sobre a morte e aponta para a ressurreição de Cristo.
De Betânia ao Prime Video: como a história bíblica de Lázaro inspira a série
Na série, protagonizada por Sam Claflin como Joel “Laz” Lazarus, criado por Harlan Coben e Daniel Brocklehurst, o nome já avisa uma conexão simbólica. Laz é um psicólogo forense que enfrenta a morte de seu pai e revive antigas perdas — em especial a da irmã gêmea Sutton. Ele começa a ter visões, investiga casos arquivados e cruza a tênue fronteira entre vida, morte e memória.
Essa sobreposição entre o nome bíblico e a trama contemporânea abre várias pistas de leitura. Primeiro: assim como o Lázaro bíblico atravessou a morte para retornar à vida visível, Laz enfrenta retornos — de memórias, traumas, fantasmas de passado — que “ressuscitam” sob a forma de visões ou revelações. Em segundo lugar: o tema da ressurreição ganha uma inversão. Na série, a “ressurreição” não é necessariamente literal, mas simbólica — trata-se de Laz sendo forçado a encarar o passado, a levantar o que se achava enterrado. Finalmente: o vínculo familiar (irmão/irmã, perda, culpa) remete ao núcleo de Betânia: Lázaro vivia com Marta e Maria, e o amor de Jesus por eles é declarado.

No fim, o uso do nome Lázaro para a série funciona como metáfora de renascimento emocional, mas também de repetição de história e de ciclo de dor. Assim como o Lázaro bíblico economizou o poder do mistério da vida e da morte, a série propõe que o que está “morto” — segredos, traumas, vínculos — pode ser “revivido” e confrontado. E esse confronto constitui a narrativa central da série.
Dessa forma, o público que reconhece a alusão bíblica ganha uma camada adicional de significado ao assistir Lázaro: não apenas um thriller psicológico, mas uma história sobre como aquilo que pensamos ter deixado para trás pode exigir que “saíamos” de nossos sepulcros mentais e de fato vivamos — ou revivamos —.
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