Alexander Spesivtsev, conhecido como “O Estripador Siberiano”, é um dos criminosos mais brutais da história recente da Rússia e sua história real inspirou o filme O Demônio do Alasca (No Tears in Hell, 2025), disponível para assistir no streaming.
Nascido em 1º de março de 1970, na cidade industrial de Novokuznetsk, ele cometeu, com a ajuda da própria mãe, uma série de assassinatos, torturas e atos de canibalismo entre 1991 e 1996. Embora condenado por quatro homicídios, investigações apontam que o número real de vítimas pode chegar a 80.
Infância e primeiros sinais de violência
Spesivtsev cresceu em um ambiente familiar marcado por abusos e negligência. O pai era alcoólatra e violento, e a mãe, Lyudmila, trabalhava no Ministério Público local. De acordo com registros posteriores, ela mantinha uma relação simbiótica e doentia com o filho, incentivando comportamentos agressivos desde cedo.
Lyudmila teria mostrado a Alexander fotos de cenas de crimes e dividido a cama com ele até a pré-adolescência. O isolamento social e a relação incestuosa contribuíram para a formação de uma personalidade instável. Aos 18 anos, após o término com a namorada Evgeny Guslnikova, Spesivtsev sequestrou e torturou a jovem por semanas, até que ela morreu em decorrência dos ferimentos.
Considerado mentalmente incapaz, ele foi internado em um hospital psiquiátrico e diagnosticado com esquizofrenia. Mesmo sem sinais claros de recuperação, foi liberado em 1991 — o que marcaria o início de uma das séries de crimes mais chocantes da Rússia pós-soviética.
O ciclo de assassinatos e canibalismo
Após deixar o hospital, Spesivtsev passou a atrair para seu apartamento jovens em situação de rua e mulheres vulneráveis, sempre com a ajuda da mãe. Lyudmila servia como isca, oferecendo abrigo e comida em tempos de miséria. As vítimas eram torturadas, mortas e, em alguns casos, parcialmente consumidas.
Quando a polícia começou a encontrar restos humanos no rio Aba, que atravessa Novokuznetsk, os Spesivtsev passaram a recorrer ao canibalismo como forma de eliminar provas. Lyudmila cozinhava a carne das vítimas e servia ao filho, que acreditava estar purificando o corpo e a alma através do ato.

Descoberta e prisão
Os crimes foram revelados em outubro de 1996, quando um encanador, impedido de entrar no apartamento da família, acionou as autoridades. Ao entrar no local, a polícia encontrou uma cena de horror: restos humanos espalhados, carne cozida sobre o fogão e uma adolescente ferida, Olga G., que conseguiu sobreviver tempo suficiente para denunciar o que havia acontecido.
Spesivtsev foi preso pouco depois e confessou parte dos assassinatos, embora tenha se retratado mais tarde. Em 1997, foi condenado à internação perpétua em um hospital psiquiátrico. Sua mãe recebeu 13 anos de prisão por cumplicidade.
A história de Alexander Spesivtsev se tornou um dos casos mais conhecidos da criminologia russa e continua a inspirar filmes, livros e estudos sobre o comportamento humano extremo — incluindo o longa O Demônio do Alasca (No Tears in Hell, 2025), de Michael Caissie, que adapta o caso para o universo do terror psicológico.
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