O filme italiano O Falsário (Il falsario, lançado internacionalmente como The Big Fake), disponível na Netflix desde o início de 2026, despertou a curiosidade do público ao misturar arte, crime e política. A principal pergunta que surge após a exibição é direta: a trama é baseada em uma história real? A resposta é sim — ainda que o longa adote liberdade criativa ao retratar acontecimentos e personagens inspirados em fatos históricos.
O ponto de partida do filme está na figura de Antonio Chichiarelli, conhecido como Toni Chichiarelli, um falsificador italiano que atuou principalmente em Roma durante as décadas de 1970 e 1980. Artista com formação técnica sólida, Chichiarelli nunca alcançou reconhecimento no circuito tradicional das artes. Esse fracasso profissional o levou a aplicar suas habilidades de forma ilegal, tornando-se um dos nomes mais comentados do submundo romano.
Chichiarelli ganhou notoriedade não apenas pela falsificação de obras de arte e assinaturas, mas também por sua ligação indireta com um dos episódios mais traumáticos da história italiana contemporânea: o sequestro e assassinato do político Aldo Moro, em 1978. Durante o período em que Moro esteve em cativeiro, um comunicado falso atribuído às Brigadas Vermelhas foi divulgado à imprensa. Investigações posteriores apontaram que o material teria sido produzido por Chichiarelli, contribuindo para a disseminação de desinformação e para o agravamento da crise política.
A história real de O Falsário, novo filme italiano da Netflix
Outro episódio central em sua trajetória criminosa ocorreu em 23 de março de 1984, quando participou do assalto à empresa de transporte de valores Brink’s Securmark, em Roma. A ação resultou no roubo de cerca de 35 bilhões de liras, uma das maiores quantias da época. Diferentemente de crimes convencionais, o assalto foi marcado por estratégias de despiste, com pistas falsas e materiais plantados deliberadamente para confundir a polícia, reforçando a imagem de Chichiarelli como alguém que via o crime como encenação.
O desfecho de sua história foi rápido e violento. Menos de seis meses após o assalto à Brink’s, Antonio Chichiarelli foi assassinado, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas, possivelmente em razão de conflitos com antigos parceiros do crime.

O Falsário, da Netflix, transforma esses elementos históricos em ficção, reorganizando eventos e personagens para fins narrativos. Ainda assim, o filme se ancora em um contexto real marcado por instabilidade política, terrorismo e criminalidade, oferecendo um retrato ficcional de como talento artístico e oportunismo podem se cruzar em períodos de crise.
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