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5 Curiosidades do filme “Assassino Por Acaso”, de Richard Linklater

“Assassino Por Acaso” (leia a crítica do filme) conquista o público com sua mistura única de comédia romântica, suspense e uma reflexão sobre identidade. Dirigido por Richard Linklater e estrelado por Glen Powell (que também co-escreveu o roteiro) e Adria Arjona, o longa esconde histórias fascinantes sobre sua criação. Descubra cinco curiosidades que mostram como uma reportagem real se transformou em um dos filmes mais originais do ano.

1. Inspirado em um homem real (mas a parte boa é invenção)

A origem do filme está em um artigo real da revista Texas Monthly, escrito por Skip Hollandsworth, que contava a história de Gary Johnson, um professor que de fato trabalhou disfarçado como assassino de aluguel fictício para a polícia do Texas. Linklater, que já havia adaptado outro texto do mesmo autor em “Bernie“, se interessou pelo tema, mas achou a repetição das stings muito monótona para um filme. A centelha criativa veio anos depois, quando Glen Powell sugeriu: “E se a gente simplesmente não seguisse os fatos?”. A partir de um breve relato em que o Gary real se recusou a prender uma mulher que queria matar o marido abusivo, a dupla construiu toda a trama romântica e criminal que vemos na tela.

2. Glen Powell foi o mestre dos disfarces extravagantes

O artigo original mencionava que o verdadeiro Gary Johnson usava disfarces sutis. No filme, isso foi elevado ao extremo por sugestão de Glen Powell. Foi ele quem insistiu nos personagens excêntricos que Gary interpreta em cada operação: o matador russo, o psicopata de terno, o assassino ruivo. Linklater chegou a duvidar (“Devemos mesmo fazer um sotaque russo?”), mas acabou abraçando a ideia. Esses disfarces caricatos destacam o talento cômico de Powell e contrastam com a transformação mais profunda de Gary em “Ron”, sua persona mais sedutora.

3. Adria Arjona “escreveu” a personagem Madison de “Assassino Por Acaso”

No artigo original, a mulher que contrata Gary era apenas uma nota de rodapé. No filme, Madison (Adria Arjona) é co-protagonista. Curiosamente, Linklater e Powell entregaram a Arjona a responsabilidade de desenvolver a personagem. Eles a apresentaram como “uma espécie de esboço” e disseram que ela seria a própria a dar vida àquela mulher. Arjona moldou Madison para que fosse além do arquétipo da femme fatale, mostrando sua vulnerabilidade inicial, sua evolução e sua astúcia final, criando uma personagem complexa e cativante.

4. A cena do aplicativo de notas foi um ato de alto-risco sem ensaio

A sequência mais tensa e genial do filme, em que Gary usa o aplicativo de Notas do iPhone para se comunicar com Madison sob a vigilância do policial corrupto, foi filmada de forma deliberadamente espontânea. Powell e Arjona não ensaiaram a cena antes das filmagens. A diretoria de Linklater queria capturar a genuína reação de surpresa e a comunicação não verbal crua entre os atores. O resultado é um malabarismo muito bom, onde diálogo, gestos e olhares transmitem mensagens diferentes simultaneamente. A cena, que era para ser claustrofóbica, tornou-se um momento icônico de reconexão do casal.

5. O verdadeiro Gary Johnson nunca matou ninguém (ao contrário do filme)

Uma das maiores liberdades criativas do filme é o desfecho criminal. Enquanto o Gary de Powell e Arjona se envolve em assassinatos, o verdadeiro Gary Johnson morreu em 2022 sem nenhum homicídio em seu histórico. Linklater incluiu uma cartela nos créditos finais para deixar isso claro, uma jogada metalinguística para evitar que o público confunda a ficção com a realidade. O diretor brinca com o “poder do cinema” para fazer o público torcer por atos moralmente questionáveis, desde que os vilões sejam suficientemente detestáveis. No fim, a mensagem é sobre transformação e amor, não sobre crime perfeito – ainda que, na tela, a fusão de Gary com seu alter ego “Ron” tenha consequências bem mais explosivas do que na vida real.