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Until Dawn - Noite de Terror ganha novo pôster nacional Until Dawn - Noite de Terror ganha novo pôster nacional

Until Dawn: entre noite de terror e falta de aproveitamento

No terror, uma trama que apresenta uma espécie de “dia da marmota” com mistério e mortes não é novidade e “A Morte Te Dá Parabéns” trabalhou isso de forma eficaz. Pegando esse mesmo artifício de loop temporal, o diretor David F. Sandberg (Annabelle 2, Shazam!) assume o comando da adaptação de Until Dawn para os cinemas, baseada no jogo de mesmo nome lançado para PlayStation 4 em 2015.

Na história, Clover (interpretada por Ella Rubin) perdeu sua irmã há um ano e decide, junto dos amigos Max (Michael Cimino), Nina (Odessa A’zion), Megan (Ji-young Yoo) e Abe (Belmont Cameli), refazer o mesmo caminho que ela. No entanto, ao chegarem a Blackwood Mountain, uma chuva torrencial os obriga a buscar abrigo em um local onde apenas uma cabana de informações para visitantes é visível. Quando a noite chega, logo percebem a enrascada em que se meteram — e o quanto estão perdidos em um lugar sobrenatural.

Minha primeira experiência com o jogo “Until Dawn” não foi tão chamativa. Não lembro o ano exato, apenas que, ainda na década passada, sentei no sofá para começar uma jornada que me atraiu — mas não de imediato. Lembro de ter jogado por cerca de uma hora, mas não retornei tão cedo. Talvez por conta de outros jogos na fila, ou porque a jogabilidade e a história desenvolvida pelo estúdio Supermassive Games não haviam me cativado de início. Eu estava errado. Ao retornar e rejogar, não apenas fui fisgado pela história dos amigos que vão passar um fim de semana na montanha e se envolvem em uma trama sobrenatural, como também fui conquistado pelo suspense e, principalmente, pelos personagens.

Dito isso, Until Dawn – Noite de Terror não tem nem metade do carisma do jogo original. O roteiro de Blair Butler (Convite Maldito) e Gary Dauberman (trilogia Annabelle) acerta ao inserir o loop temporal para explorar o máximo possível do material de origem — seja nos easter eggs ou nos diferentes e possíveis horrores que uma noite em Blackwood pode proporcionar.

Tirando Clover de Ella Rubin, os demais personagens têm pouco desenvolvimento. Eles até fogem dos estereótipos típicos dos filmes do gênero — onde os personagens servem apenas como carne a ser dilacerada —, mas ainda carecem de camadas narrativas. No jogo original, embora os personagens também sejam arquétipos e nem todos sejam aprofundados, o fato de podermos controlá-los, escolher seus caminhos e determinar quem vive ou morre, nos aproxima deles e revela nuances de suas personalidades. Aqui, essa profundidade se perde.

Until Dawn - Noite de Terror, adaptação do jogo de mesmo que saiu para PlayStation em 2015
Créditos: Divulgação/Sony Pictures

Until Dawn e as escolhas dos realizadores

Quando se trata de adaptação, sou do time que acredita que nem tudo precisa ser igual ao original — porém, é inegável que Butler e Dauberman desperdiçaram uma excelente oportunidade de apresentar um universo sobrenatural com potencial para ser expandido. Mesmo que o final do filme sugira essa intenção, a direção de David F. Sandberg aposta em jumpscares irrelevantes, tão banais quanto as inúmeras produções que usam essa muleta sonora e visual para assustar.

A visceralidade de algumas cenas é boa, mas não vai muito além disso. A história dos acontecimentos na cidade é um tanto confusa, e a entrada de Dr. Hill (vivido por Peter Stormare, reprisando seu papel do jogo original) poderia ter contribuído mais para a compreensão da história. O objetivo de colocar os protagonistas em risco e mostrar mortes violentas rapidamente se torna um passeio sem real tensão — e, com isso, perdemos a sensação de urgência. Não há uma preocupação genuína se Max, Nina, Megan ou Abe vão sobreviver. Não acredito que esses personagens irão retornar em uma continuação – eu espero que não. Portanto, roteiro e direção poderiam ter dado mais peso emocional às suas resoluções.

No fim, “Until Dawn – Noite de Terror” acaba se tornando mais uma questão de trauma do que de consequências para Clover e seus amigos. E, ao invés de desenvolver o trauma da personagem principal como pano de fundo, o longa foca na repetição dos acontecimentos para prolongar o suspense. A cada novo loop, Clover revive não só o terror físico, mas a culpa interna por algo que não conseguiu mudar no passado.

Uma camada do filme é que o horror não está nos monstros ou armadilhas, mas no fato de que Clover parece incapaz de seguir em frente sem a irmã, mas o amigos sempre estiveram com ela. Os acontecimentos em “Until Dawn – Noite de Terror” serão o bastante para sustentar uma franquia sobrenatural? Isso, só o público poderá dizer.