“Telefone Preto 2” é um filme de terror dirigido por Scott Derrickson que dá sequência aos acontecimentos do primeiro filme. Finn (Mason Thames), junto com sua irmã Gwen (Madeleine McGraw), ainda enfrentam o trauma vivido pelo sequestro sinistro de Finn. Enquanto ele busca o escapismo, Gwen começa a ter visões intensas que levam ao contato com sua falecida mãe, e uma pista sobre um misterioso acontecimento em um acampamento cristão para jovens. Juntos, os dois embarcam numa investigação sombria.
O primeiro “Telefone Preto” teve sucesso em sua proposta: um terror sólido, sem exageros e que se mostrou um produto leve para o grande público. Sua ambientação de época (anos 1970) foi caprichada e contribuía bastante para a imersão. Em “Telefone Preto 2”, há uma continuidade estética dessa proposta, repetindo elementos marcantes como a montagem inicial em estilo de programa investigativo, bem construída e essencial para a narrativa — e o uso de filtros com ruído, simulando uma filmagem antiga. No entanto, o novo capítulo também acrescenta novidades.
O segundo filme foca sua narrativa mais em Gwen, que tem suas visões intensificadas e passa a ser assombrada por espíritos. Essas visões deixam de existir somente no plano espiritual e transbordam para o físico, levando-a a situações que remetem a clássicos do terror. Enquanto o primeiro, mesmo possuindo alguns momentos de relativa tensão, não possui um terror que pesa em situações de perigo e suspense, a sequência eleva o nível de elementos sombrios, demandando da audiência um pouco mais de nervos. Jump scares são usados com mais frequência, assim como cenas violentas e perigosas. A câmera na mão também é um recurso utilizado para intensificar a atmosfera.
“Telefone Preto 2” melhora a narrativa e amarra pontas soltas
Narrativamente, “Telefone Preto 2” funciona bem, pois não apresenta nada arrojado demais, mas sim uma história com bom desenvolvimento de personagens. Finn encontra um mentor que o ajuda a sair da situação de não superar seus medos e continuar preso nas reminiscências de seu passado. Gwen é levada ao limite com seus sonhos e visões, chegando até a questionar sua própria sanidade, mas é levada a entender que sua condição espiritual não é uma maldição e sim um dom, mesmo que tenha que carregar esse fardo pesado. Os conflitos internos e externos são bem resolvidos, o inimigo espiritual maior é derrotado e os desafios são concluídos satisfatoriamente.
Afinal, “Telefone Preto 2” é melhor do que o primeiro? Talvez não em todos os aspectos, mas certamente é um complemento indispensável à história. Por continuar diretamente com os mesmo personagens e com uma trama que está ligada intrinsecamente ao primeiro filme, é um capítulo que se torna indispensável para a história dos dois filmes, pois, além de acrescentar elementos novos, também amarra pontas soltas.
Os dois filmes, em estética e enredo, se aproximam muito; ainda assim, não se trata exatamente da mesma proposta no dois longas: pois no segundo filme o nível de terror foi elevado, trazendo uma experiência mais envolvente para o espectador, mas, questionavelmente, tem um tempo de duração maior e é um tanto delongado. Outro questionamento é se haverá uma continuação deste projeto, e se o título se tornará uma franquia. Se isso acontecer, será preciso um bom trabalho de roteiro para extrair mais possibilidades do que já foi feito. Então, caberá ao público avaliar a interação entre os dois filmes, repercutindo sua resposta direta à sequência.
“Telefone Preto 2” estreia dia 16 de outubro nos cinemas.
Por Hélio Mesquita.
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