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Supergirl (2026): Milly Alcock brilha em fórmula repetida Supergirl (2026): Milly Alcock brilha em fórmula repetida

Supergirl (2026): Milly Alcock brilha em fórmula repetida

Assim como Henry Cavill e David Corenswet nasceram para interpretar o Superman, Milly Alcock nasceu para ser a Supergirl. Com essa frase, talvez controversa, já adianto: os trailers entregaram muito da história, então vou direto ao que realmente importa: minhas impressões.

O filme “Supergirl”, dirigido por Craig Gillespie, introduz a super-heroína de Krypton no novo universo cinematográfico da DC Comics (DC Studios), agora gerido por James Gunn. Inclusive, é nítida a influência do diretor na caracterização dos personagens, na atmosfera de aventura espacial e até mesmo na inserção da trilha sonora em momentos pontuais, menção honrosa à Temps de l’amour de Françoise Hardy.

O ponto forte da produção foi, sem dúvidas, a escolha da atriz (algo que já adiantei anteriormente). Ela consegue passar por todas as nuances da personagem, algo entre “She’s so crazy, I love her” e a poderosa garota de aço (sim, isso foi possível) e segura muito bem as cenas dramáticas. Outro ponto forte é o paralelo que o roteiro faz entre ela e seu primo Superman: enquanto ele veio para a Terra ainda bebê, Kara esteve presente na ruína de seu planeta e acompanhou o gradual falecimento de seus pais, tornando-a uma pessoa traumatizada e distante emocionalmente, fazendo com que buscasse na bebida e nos excessos uma fuga para seu sofrimento.

Outro acerto foi a escolha da atriz Eve Ridley para interpretar Ruthye Knoll, que, mesmo jovem, apresenta uma performance interessante e não é aquela clássica adolescente irritante ou que resolve tudo pelo poder da motivação (traumas da Miss América em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura). Não diria que a personagem é carismática, mas o espectador consegue sim se importar minimamente com ela, sem contar a química de amizade que Ruthye constrói com a heroína.

Milly Alcock como Kara Zor-El e o supercão Krypto. Crédito: Warner

Supergirl: entre o genérico e o divertido

Talvez o ponto que mais gere divergências de opinião seja Jason Momoa como o Lobo. Eu particularmente não me incomodei, só que é aquela coisa: mais uma vez Momoa interpretando ele próprio, o “doidão da galera”, servindo de alívio cômico e aparecendo em momentos de conveniência do roteiro.

Esse é o gancho para entrarmos na parte negativa, aliás, não sei se chamaria exatamente de parte negativa. O filme segue exatamente o molde dos filmes de super-heróis e não há nenhuma inventividade, nem mesmo nas cenas de luta (numa delas, um plano-sequência caberia muito bem). Muitos aspectos ainda são genéricos, inclusive o vilão, que é um nojento, cretino, desgraçado, mas esquecível, servindo apenas de “escada” para a Supergirl mostrar seus poderes e se desenvolver como personagem (pensando bem, em um mundo em que temos poucas super-heroínas, isso é até uma reparação histórica). Se bem que nós, fãs de filmes de super-heróis, já estamos acostumados com isso: um Lex Luthor, Loki ou Thanos aparecem a cada dez anos.

Jason Momoa como Lobo em “Supergirl” (2026). Crédito: Warner Bros.

Na transição do segundo para o terceiro ato, o vilão podia ter ido de arrasta umas duas vezes, mas, como o roteiro precisava dele vivo, ele seguiu pleno. Além disso, a protagonista abraça com mais força um discurso anti-vingança. E confesso que, naquele momento, pensei: “Minha filha, eu quero vingança, quero guerra. Vai virar diplomata agora?”

No geral, “Supergirl” diverte, faz boas piadas e entrega uma participação especial; entretanto, não consegue fugir do genérico. O primeiro ato funciona; a roteirista Ana Nogueira (The Blacklist e The Vampire Diaries) só perdeu a mão na segunda metade do longa. E encerro minhas impressões com a frase de um dos maiores filósofos contemporâneos que temos: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.”

Por Isa Ramalho.