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Sentença de Morte (Shadow Force), com Omar Sy e Kerry Washington - FINAL EXPLICADO do filme Sentença de Morte (Shadow Force), com Omar Sy e Kerry Washington - FINAL EXPLICADO do filme

Shadow Force é ação genérica e poucos méritos

Ir ao cinema e assistir a um ótimo filme é uma experiência ímpar. Ir ao cinema e ver um filme péssimo, por vezes, também é interessante — afinal, ser contrariado enquanto espectador pode ser um exercício curioso. Mas ir ao cinema e assistir a um filme que não é bom, tampouco péssimo, apenas construído de forma artificial e genérica… essa é, definitivamente, uma das tarefas mais desafiadoras na escrita crítica. E é justamente isso que acontece com Shadow Force, dirigido por Joe Carnahan e estrelado por Kerry Washington e Omar Sy.

No papel, o filme tinha tudo para ser brilhante, ou ao menos divertido. No entanto, graças a um roteiro preguiçoso e uma direção sem ousadia, “Shadow Force” se torna esquecível e, pior, entediante. Tem seus méritos, mas o saldo final não é nada agradável.

A sinopse do filme é a seguinte: “Em ‘Shadow Force – Sentença de Morte’, Kyrah e Isaac são forçados a fugir com seu filho após quebrarem a principal regra da Shadow Force, uma unidade secreta de elite: nunca se apaixonar. Agora, com uma recompensa por suas cabeças, eles são implacavelmente perseguidos pela própria organização a que serviram. Para escapar da sentença de morte, precisarão enfrentar desafios extremos e lutar pela sobrevivência de sua família”.

A premissa não é original, e isso não é necessariamente um problema. Muitos filmes se apoiam em fórmulas conhecidas. O esperado, nesse caso, era que a direção concentrasse seus esforços nas cenas de ação. Mas não é o que acontece. Cada sequência de combate ou perseguição parece saída diretamente de uma paródia de outros longas mais bem-sucedidos — de “The Batman” a “Mad Max: Estrada da Fúria”. Nenhuma cena em “Shadow Force” parece buscar uma identidade própria. Para piorar, as cenas são mal filmadas, escuras e excessivamente picotadas, com cortes que dificultam acompanhar o que está acontecendo.

Kerry Washington como Kyra. Reprodução.

Embora Kerry Washington e Omar Sy se saiam bem com o pouco que o roteiro oferece, o restante do elenco parece entregue a personagens mal desenvolvidos. O vilão, vivido por Mark Strong, é sem sal, nada ameaçador, e suas motivações são fracas e mal exploradas. A equipe do filme, tão temida neste universo, é derrotada com facilidade, sem jamais justificar o terror que supostamente inspira. Fica evidente a tentativa de se criar algo próximo do tom estilizado de “Kill Bill”, mas a comparação só escancara o que falta: estilo, intensidade, criatividade — e personagens marcantes.

Falta paixão à direção. Falta interesse pelo mundo que o próprio filme apresenta. Os personagens parecem arquétipos vazios, sem vida, sem contexto. Um filme de ação que não confia nem na própria ação é, no mínimo, um sinal de desorientação criativa.

Se há algo que funciona, é a jornada emocional da família central. A dinâmica entre Kyrah, Isaac e o filho do casal, Ky Saar (Jahleel Kamara), é bem conduzida, o que pode gerar algum nível de envolvimento com o espectador. O jovem ator que interpreta o filho é talentoso, e há momentos em que a disfuncionalidade da família traz incoerências interessantes à superfície — aspectos que poderiam ter sido mais explorados. O filme ganha pontos ao mostrar que seus heróis têm limitações físicas e imperfeições reais. Esse toque de humanidade poderia ter sido o ponto de virada, caso o roteiro tivesse se comprometido a desenvolver esses elementos além do núcleo central.

Omar Sy como Isaac. Reprodução.

Vale a pena assistir Shadow Force?

“Shadow Force” é o típico filme de ação genérico que tenta replicar o estilo dos anos 1990, mas sem a alma. Há um vislumbre de potencial em sua premissa e personagens centrais, mas más decisões criativas impedem que esse potencial floresça. Não diverte como deveria, não impressiona com suas cenas de ação, e tampouco emociona com a força que poderia. É mais um produto de uma indústria que, às vezes, parece ter esquecido que o cinema é feito por pessoas — e para pessoas.

Por Tiago Maia.