Depois que The White Lotus estabeleceu um novo patamar de sátira aos ricos, temos diversas produções mirando na satisfação do mesmo espectador que se encantou com a série da HBO Max. A minissérie Sereias (Sirens, 2025), da Netflix, pode ser considerada mais uma delas e, com o elenco que possui, era de se esperar um resultado no mínimo satisfatório. Acompanhe a nossa crítica.
Da mesma criadora de Maid, Molly Smith Metzler, a história contempla duas irmãs que não se veem há muito tempo, Devon (Meghann Fahy) e Simone (Milly Alcock). A primeira está emperrada na vida, com diversas dívidas e sem conseguir sair de sua bolha em Buffalo, onde cuida do pai com demência. Já a segunda vive bem em uma luxuosa ilha a serviço de sua chefe, Michaela (Julianne Moore), uma poderosa mulher que comanda uma instituição que cuida de animais. As coisas mudam de tom quando Devon se sente provocada por Simone, decidindo assim ir atrás da irmã para responder ao insulto.
Os primeiros episódios de Sirens começam muito bem, mostrando uma divertida face ridícula das pessoas mais ricas sofrendo com todos os defeitos que apenas o dinheiro pode lhes fornecer. A tirania com os funcionários, a hipocrisia em tratar os animais melhor do que as pessoas e a frustração nos relacionamentos ficam devidamente concentrados na personagens de Julianne Moore, à vontade em seu papel mais uma vez.
Quando The White Lotus se encontra com a 8ª temporada de GOT
No entanto, a minissérie carece de um trato mais atencioso no que tange ao desenvolvimento dos personagens. O que é estabelecido como personalidade para Simone ao final não se justifica, ainda que o caminho traçado para a personagem seja interessante. Devon, a irmã problema, acaba tendo toda uma trajetória à toa em relação ao seu objetivo inicial. Michaela, por sua vez, é a que menos falha neste quesito, pois ter uma personagem mulher em desgraça após abdicar da carreira profissional em prol do marido ricaço é algo crível para se assistir, mas para uma figura tão controladora e poderosa como ela se provou, é inverossímil que vê-la caindo em desgraça sem nenhuma salva-guarda.
Os elementos insólitos inseridos na narrativa tentam nos sugerir a presença de algum misticismo na história, obviamente levando na direção da mitologia das sereias como objeto de sedução e desgraça para os homens. A mensagem de que o mundo masculino em si é tão ruim ou até pior do que essa força mitológica é uma sacada interessante, ainda que gasta, e infelizmente está colocada sem o devido impacto nos episódios finais. É como se The White Lotus se juntasse à infame 8ª temporada de Game of Thrones para criar algo.
As verdadeiras sereias
Para a sorte da Netflix e da criadora Molly Smith Metzler, existe sim sereias habitando a série e elas são o trio protagonista. Julianne Moore, Milly Alcock e Meghann Fahy usam extremamente bem suas respectivas belezas para nos encantar e seduzir, escondendo assim muito dos problemas acima citados. Ter um elenco de peso e renome faz diferença, mas essas três tiraram leite de pedra. Kevin Bacon está confortável interpretando mais um personagem Kavin Bacon, e Bill Camp é outro que apenas compõe bem o elenco da minissérie.
Funcionando bem como sátira ao mundo dos ricos, Sereias é uma opção rápida de maratona na Netflix, mas não é garantia de uma ótima experiência.
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