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Pecadores, novo filme de Ryan Coogler Pecadores, novo filme de Ryan Coogler

Pecadores: do genérico ao Oscar

Para um trailer que prometia apenas mais um filme de ação genérico, Pecadores surpreende em quesitos técnicos, mesmo que, em alguns momentos, a atuação perca um pouco do peso que mortes, sangue e destruição deveriam carregar.

O roteiro, por si só, é primoroso. Tudo é bem amarrado, e o que ficou de fora do corte final realmente não era necessário para a trama. Aqui, não há barrigas ou silêncios constrangedores tudo é preciso, o que, somado à direção competente de Ryan Coogler, transforma o filme em uma experiência única. Do início ao fim, o espectador permanece imerso, com atuações e enredo se desenrolando de forma fluida e coesa.

No entanto, a atuação de Michael B. Jordan não está entre suas melhores. Em cenas que exigem dor profunda como a perda de um ente querido, ele recorre frequentemente à catatonia: olhar vago, expressão paralisada, voz entrecortada. É uma escolha válida, mas repetitiva, faltando-lhe variedade emocional. Curiosamente, Hollywood pode endeusá-lo e até mesmo indicá-lo ao Oscar, mas a verdadeira força está no vilão interpretado por Jack O’Connell. Ele transmite medo, arrogância e um ódio visceral pela humanidade, além de uma convicção perturbadora de ser o salvador daquela realidade. Outro destaque é Miles Caton, que, mesmo relegado ao papel de “o cara do violão”, demonstra potencial embora precise trabalhar mais suas expressões faciais.

Pecadores, novo filme de Ryan Coogler
Crédito: Divulgação

O ápice técnico do filme, porém, está na direção de fotografia. Cada plano é meticulosamente construído, com luz e sombra pintando um mundo escravocrata e pobre, mas rico em cultura. Cada imagem é digna de um quadro, e certamente influenciará futuras produções. Quase tão impressionante é a direção de arte, que funciona como um relógio preciso, especialmente nas cenas em plano-sequência exigindo ensaios impecáveis e uma coreografia perfeita, o que nitidamente é feito com maestria pois o filme é repleto de plano-sequência.

Pecadores é, inegavelmente, uma grata surpresa. Diante das expectativas de ser apenas mais um filme de vampiros com um elenco famoso (que, no fim, se resume basicamente a Michael B. Jordan e Hailee Steinfeld), a obra prova que o cinema ainda pode surpreender, e de forma brilhante. Merece ser celebrado e compartilhado, consolidando-se como um dos melhores filmes de 2025.

Por Lanna Félix.