“O Agente Secreto” é um filme escrito e dirigido pelo reconhecido cineasta Kléber Mendonça Filho, que se passa na cidade de Recife durante o período da ditadura militar. Kléber possui uma obra relevante para o cinema nacional, com filmes como: “O Som ao Redor”, “Aquarius” e “Bacurau”, todos com peso de crítica e relevância social.
Uma trama de fuga e sobrevivência na Ditadura Militar
Marcelo (vivido por Wagner Moura) é um homem que se refugia, no ano de 1977, na capital de Pernambuco, onde se junta a uma moradia coletiva com outros refugiados que se escondem por motivos políticos – ainda que guardem para si os reais motivos de estarem foragidos. Marcelo reencontra seu filho pequeno, que mora com seu sogro, pai de sua falecida esposa, e planeja fugir para a Europa. Porém, descobre que um assassino de aluguel foi contratado para matá-lo e, então, precisa lutar contra o tempo.
Com um enredo sólido, o filme prende a atenção em seu desenvolvimento e leva o público a mergulhar no contexto do protagonista. Ainda que nem todas as nuances do roteiro sejam compreendidas de imediato, a tensão crescente atravessa a história.
“O Agente Secreto” e sua narrativa não convencional
O que é mais inesperado, no entanto, é o desfecho. Como um corte cru e súbito, o fio que mantinha a trama parece se despedaçar e dá lugar a outra sequência de ideias. Aqui, não vemos a narrativa padrão em que, no terceiro ato, o protagonista resolve todas as questões pendentes. Em vez disso, o que acontece é uma sequência dramática em que o autor nos faz refletir sobre transformação e memória – que podem, ou não, perecer com o tempo.
Talvez, para o grande público, isso possa parecer estranho. Entrar nesse debate é cair no perigo de elitizar a crítica sobre o cinema e não levar em consideração que ele é, acima de tudo, entretenimento. Justamente por esse fator, e por estarmos acostumados a um tipo de narrativa que privilegia as convenções existentes, é preciso considerar que o filme pode não agradar a uma parte do público. Mas, nem por um momento, podemos considerar que falta algo na obra de Kléber Mendonça. O que acontece é o oposto: o diretor acrescenta uma camada a mais de nível dramático e nos apresenta uma questão que estava diante de nossos olhos durante o filme inteiro, mas que só é desvelada nos momentos finais.

O impacto do filme no cenário cinematográfico brasileiro
Para representar o país no Oscar, “O Agente Secreto” foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema como sua indicação – mesmo com certa resistência, já que outro filme, “Manas”, também foi alvo de discussão para a indicação. Com uma trama potente e grande elenco, a possibilidade de ganhar uma premiação internacional, além do que já foi conquistado no Festival de Cannes, torna-se bastante palpável.
Após a premiação de “Ainda estou aqui”, todos sabemos o sentimento de ganhar um Oscar. É como uma Copa do Mundo: todo mundo vibra, torce e se emociona. Não há como negar que esse momento é importante para um povo, como nação. Com o poder simbólico de concorrer ao maior prêmio da indústria cinematográfica, “O Agente Secreto” carrega uma pressão inerente pela responsabilidade de disputar uma estatueta no exterior.
Porém, é preciso olhar por outro lado: o impacto interno. A verdadeira responsabilidade do filme é com o cinema brasileiro – e essa responsabilidade está sendo assumida com maestria. “O Agente Secreto” tem gerado burburinho e levado o público às salas. Segundo reportagem do site Terra, mesmo antes da estreia, o longa de Kleber Mendonça estava entre os dez mais assistidos do Brasil em duas semanas consecutivas e, até a presente data, já arrecadou R$ 1,36 milhão.
Considerando o que foi exposto, “O Agente Secreto” é excepcional em qualidade, uma adesão forte do público nacional e uma oportunidade real de participar da premiação mais importante do cinema mundial. No entanto, o Oscar recebe inscrições de filmes do mundo inteiro e conta com uma equipe limitada, conhecida por ser seletiva. Agora, resta ao público e à equipe do longa nacional fazer um trabalho intenso em uma campanha internacional para angariar a atenção do evento e, quem sabe, levar mais uma vez o cinema brasileiro aos tapetes vermelhos.
Por Hélio Mesquita.
![[COSMO] Topo Home e Posts](https://cosmoup.com.br/wp-content/uploads/2026/02/lol5_padrao_728x90px_exib.jpg.jpeg)