Megalomaníaco, prepotente e completamente insano — é assim que Missão Impossível: O Acerto Final se apresenta. Um filme que não tem medo de arriscar, mas que, no fim das contas, entrega mais do mesmo.
Como meu primeiro contato com a franquia, confesso que não entendi o hype. A diferença entre Missão Impossível e Velozes e Furiosos resume-se à ausência de dublês e a uma direção mais competente. Ainda assim, o roteiro segue uma fórmula repetitiva que, convenhamos, até arranca algumas risadas de tão previsível. Apesar disso, é impossível ignorar o mérito de Tom Cruise em sua missão quase quixotesca de manter o cinema de ação vivo, se machucando ou não. Sua dedicação ao espetáculo físico é admirável — isso ninguém pode negar.
A direção de Christopher McQuarrie (Missão: Impossível – Efeito Fallout) é eficiente na construção da tensão. A movimentação dos personagens, a iluminação e o ritmo são cuidadosamente calculados para criar uma atmosfera de urgência — e funciona. Embora nunca tenha sido fã de filmes de espionagem, “Missão Impossível: O Acerto Final” conseguiu me prender do início ao fim.
No quesito atuação, Tom Cruise segue sua fórmula: nem extraordinário, nem medíocre, apenas sólido o suficiente para agradar tanto à crítica quanto ao público. O restante do elenco, porém, parece um tanto perdido, com interpretações exageradas e, em alguns casos, caricatas. Comparando com os filmes anteriores, nota-se uma tentativa forçada de inserir humor, que aqui soa repetitiva e desnecessária.

Um dos maiores problemas do filme está na edição. O excesso de flashbacks, narrações em voice-over e sobreposições de imagens confunde o espectador em certos momentos, mesmo com uma narrativa que, no fundo, é bastante óbvia. A montagem parece tentar injetar tensão artificial em cenas que, isoladamente, seriam genéricas.
O design de produção, por outro lado, é um grande acerto. As sequências submersas — em sua maioria realizadas com efeitos práticos — são de tremer na base e conferem um toque de magia à experiência. No entanto, podem ser desconfortáveis para quem tem medo de profundidade (eu mesma não consegui assistir a algumas por completo).
No fim, “Missão Impossível: O Acerto Final” soa como o encerramento de um ciclo, apesar de que McQuarrie já havia dito que este longa não será o última da franquia. Seu desfecho é grandioso, com uma montagem eficiente e atuações que emocionaram parte da plateia (vi gente chorando na sessão). Embora eu não tenha me conectado emocionalmente, reconheço a importância da franquia para o cinema, e este filme funciona como uma possível despedida à altura. Vale a pena pelo espetáculo — mesmo que não traga nada de realmente novo.
Por Lanna Félix.
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