Entrelaçando luto e mistério numa trama bem amarrada, a série Indomável (Untamed, 2025) estreia globalmente na Netflix com ótimas performances, principalmente de sua estrela principal, Eric Bana.
Na história, o ator dá vida a Kyle Turner, um agente especial do Serviço Nacional de Parques que trabalha para impor a lei humana na vasta natureza selvagem. A investigação de uma morte brutal coloca Turner em rota de colisão com os segredos obscuros do parque e de seu próprio passado.
Criada por Elle e Mark Smith, temos aqui seis episódios que alternam bem entre a cadência dos passeios de cavalo e planos abertos para um vislumbre das paisagens da reserva indígena e momentos de maior tensão, com o mesmo cenário sendo objeto para cenas de suspense em escalada (como na excelente sequência inicial) e até tiroteio entre com snipers. Tudo isso com os dramas do protagonista em ressonância.

Mark Smith já colaborou com o roteiro de projetos da grande indústria como Twisters (2024), O Céu da Meia-Noite (2020) e O Regresso (2015), sendo esse último, estrelado por DiCaprio, boa base para o tom encontrado em Indomável de 2025. Isso porque a trama segue bem a linha do embate entre o homem e a natureza, no sentido mais puro e cruel da expressão “natureza selvagem”, considerada uma redundância dentro da crença do protagonista. Ainda de ambientação semelhante, mas épocas diferentes, Smith também é o criador de outra empolgante minissérie da Netflix: Terra Indomável (2025).
A construção da narrativa é um grande diferencial, com as pontas soltas da trama se desenrolando no momento preciso, ficando poucos pontos passíveis de crítica por parte de olhares mais atentos. O formato da série, dividida em seis episódios, favorece a paciência de quem não está tão interessados em histórias paralelas e queira terminar sua experiência em tempo mais hábil (o que tem parecido a tônica do público médio do streaming atualmente, dada a imensa quantia de séries sendo ofertadas).
Esta minissérie conta com um ótimo elenco de apoio, sendo o nome mais conhecido o de Sam Neil por seu trabalho em clássicos do passado como na franquia Jurassic Park. Aqui, seu personagem é um capitão que nutre grande simpatia pelo protagonista, muito pela amizade construída mas também por acontecimentos do passado. Passado esse que é um grande fantasma na vida de todo o elenco, com cada um tendo a sua parcela de contas a serem prestadas.
Porém, o grande destaque de Indomável vai mesmo para Eric Bana, que consegue tirar de seu personagem o que é necessário, ainda que fique demasiadamente semelhante ao queridinho do momento Pedro Pascal e sua interpretação de Joel, da série The Last of Us, da HBO. Sua parceira em cena nas investigações, Naya Vasquez (Lily Santiago), é uma ótima adição servindo como contra ponto ao protagonista ranzinza, quebrando aos poucos o casco que mantém Kyle recluso em sua própria amargura.
Vale à pena assistir Indomável na Netflix?
Mas quem sou eu para acusar Eric Bana de se parecer com Pedro Pascal? A estrela de Hulk (2003), Troia (2004) e Munique (2005) surgiu para o estrelato muito antes, e sem dúvidas sua carreira nos reserva grandes personagens como Kyle Turner, apresentado em Untamed.
Em suma, Indomável é uma ótima viagem entre o luto e o mistério, buscando no passado negligenciado a força para encarar as amarguras do presente, seja para coletar informações ou ajudar a superar o que parece impossível. como ponto negativo fica apenas uma certa previsibilidade da trama, atrelada ao excesso de explicações via diálogo no final do último episódio.
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