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Habeas Corpus Crítica da Temporada 1 da Série Brasileira da Netflix Habeas Corpus Crítica da Temporada 1 da Série Brasileira da Netflix

Habeas Corpus (2026) transforma um caso criminal em uma história pessoal | Crítica

A série brasileira Habeas Corpus, produção da Netflix criada por Luiz Villaça, combina drama jurídico, investigação e conflitos pessoais para acompanhar uma tentativa de reverter uma condenação por assassinato. Com oito episódios, a trama acompanha a professora de Direito Inez Franco, interpretada por Marjorie Estiano, que decide voltar a investigar um caso que marcou sua vida anos antes.

Inez abandonou a atuação nos tribunais depois de ser baleada durante uma sessão. O trauma a afastou da prática jurídica e a levou para a sala de aula. O passado, porém, volta a bater à sua porta quando ela apresenta aos alunos o caso de Jonathan Ferreira dos Santos, condenado a 47 anos de prisão por um duplo homicídio que Inez acredita ter sido resultado de uma investigação e de um julgamento equivocados.

A partir daí, a professora reúne um grupo de estudantes para procurar novas evidências e tentar conseguir um habeas corpus que permita reabrir o processo. O que inicialmente parece ser apenas um exercício acadêmico rapidamente ganha consequências reais.

Marina é o principal elo emocional da série Netflix

Entre os estudantes escolhidos está Marina, vivida por Any Gabrielly. Jovem mãe e moradora de uma comunidade de São Paulo, ela precisa conciliar os estudos, a investigação e os cuidados com o filho. Sua determinação para participar da equipe chama a atenção de Inez, mas existe uma razão muito mais profunda por trás de seu interesse pelo caso.

A ligação entre Marina e o passado da professora é um dos principais motores narrativos de Habeas Corpus. A série revela essa conexão relativamente cedo, mas usa suas consequências para desenvolver a relação entre as duas personagens e modificar a maneira como elas enxergam o caso.

É justamente nessa dinâmica que Marjorie Estiano e Any Gabrielly encontram seus momentos mais fortes. Inez carrega o peso de um trauma que ainda interfere em sua vida, enquanto Marina começa a investigação movida por razões que ultrapassam a busca pela verdade jurídica.

O drama jurídico não depende apenas do tribunal

Um dos acertos de Habeas Corpus é não transformar a narrativa em uma sequência interminável de cenas de tribunal. Grande parte da tensão nasce da investigação conduzida pelos estudantes, que precisam encontrar provas capazes de questionar uma condenação já estabelecida.

Esse processo também coloca os personagens diante de dilemas sobre os limites que podem ultrapassar para conseguir evidências. Em alguns momentos, a busca pela verdade envolve riscos e atitudes questionáveis, criando um contraste interessante entre defender a justiça e seguir rigorosamente as regras do sistema.

A série, no entanto, nem sempre desenvolve essas questões com a mesma profundidade. Alguns conflitos são apresentados e rapidamente deixados em segundo plano, enquanto o melodrama ganha espaço.

Elenco sustenta os momentos mais fortes de Habeas Corpus

Além de Marjorie Estiano e Any Gabrielly, Habeas Corpus conta com Vladimir Brichta, Danton Mello, Naruna Costa, Marisa Orth, Natália Lage, Felipe Ricca, Luiza Gabus Mendes e Hypólito no elenco.

Vladimir Brichta interpreta Murilo Villar, antigo parceiro profissional e ex-namorado de Inez, que acaba envolvido diretamente no conflito jurídico. A presença de personagens ligados ao passado da protagonista amplia a dimensão pessoal da investigação e faz com que o caso tenha consequências que vão além de Jonathan.

Vale a pena assistir a Habeas Corpus na Netflix?

Habeas Corpus está longe de reinventar o gênero jurídico, mas encontra uma forma eficiente de combinar investigação criminal, relações familiares e drama pessoal. O mistério em torno da condenação de Jonathan sustenta a história, enquanto a relação entre Inez e Marina acrescenta uma camada emocional que diferencia a produção de um procedural tradicional.

Habeas Corpus Crítica da Temporada 1 da Série Brasileira da Netflix

Os oito episódios podem apresentar alguns momentos mais lentos e certas questões jurídicas poderiam receber maior desenvolvimento. Ainda assim, a série mantém o interesse ao transformar uma tentativa de revisão criminal em uma história sobre trauma, culpa, injustiça e a dificuldade de corrigir uma decisão tomada pelo sistema.

Com boas atuações de Marjorie Estiano e Any Gabrielly e uma trama que mistura investigação e conflitos pessoais, Habeas Corpus se apresenta como uma opção nacional para quem procura um drama jurídico com suspense e forte carga emocional na Netflix.