[COSMO] Topo Home e Posts
Com Carinho Kitty Com Carinho Kitty

Com Carinho Kitty: a geração aesthetic está preparada para a realidade?

A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos. Um dos ditados mais antigos do mundo parece se materializar na nova temporada de Com Carinho Kitty, criada por Jenny Han, autora da trilogia “Para todos os garotos que já amei”. A geração que cresceu acreditando no “felizes para sempre” está pronta para lidar com os desvios da vida?

Na 3ª temporada, a trama acompanha Kitty Song Covey, interpretada por Anna Cathcart, enquanto lida com as incertezas e escolhas do último ano do ensino médio, busca definir seu relacionamento com Min-ho (Sang Heon Lee) e realizar sua lista de desejos antes do final do ano. No entanto, a série não alcançou um público tão grande apenas com seu enredo principal, e sim com a multiplicidade de histórias e personagens capazes de se conectar com diferentes identidades. Nessa continuação, é possível ver isso ainda mais delineado através de Dae (o menino de ouro que não passa na faculdade dos sonhos), Eunice (que abre mão da carreira de ídolo em ascensão) e da querida Yuri (se reestruturando após a falência da família).

No início, tudo parece seguir como o esperado — até que a fantasia começa a se quebrar. O que me chama a atenção é a repetição de uma ideia: as coisas acontecem, mas não como o esperado. Estamos cada vez mais ansiosos, mais loucos por controle. O que vai ser da vida se eu não conseguir a vida perfeita de cinema? E se eu não tiver aquilo que sempre quis?

Acredite, esta boa e velha virginiana sabe fazer jus ao rótulo de perfeccionista e control freak. O ponto é que nos acostumamos com a jornada do herói, com o script perfeito e redondinho que termina no “felizes para sempre”.

Mas será que é possível viver uma vida tão redondinha quanto uma série adolescente?

O drama da vida em “Com Carinho Kitty”

“Com Carinho Kitty” nos conecta com aquele verdadeiro sentimento da adolescência: não só os romances e apegos, mas o peso de uma escolha. “Se for como eu queria, tudo vai ser perfeito; se não, minha vida vai acabar.” Sem meio-termos ou plano B, apenas uma opção para a vida dos sonhos.

Mas e se tudo der certo e você descobrir que não era isso que você queria? Ou se der tudo errado e isso te levar até a pessoa perfeita para você?

A vida parece ser construída na imprevisibilidade da jornada — não nos resultados, mas no processo. A autora Jenny Han, reconhecida por suas histórias de final feliz e encontros bem amarrados, parece brincar com as certezas trazendo não apenas histórias de caminhos perfeitos, mas as incertezas, os riscos e as dificuldades de fazer um relacionamento dar certo quando a vida entra no meio.

Atendendo ao pedido de muitos fãs da série, temos um vislumbre do relacionamento de Lara Jean e Peter Kavinsky, protagonistas de “Para todos os garotos que já amei” — não como a mesma perfeita e inabalável relação, mas rodeado de incertezas e desafios como a distância e a vontade de arriscar mesmo sem saber no que vai dar. Assim como nos filmes, a série deixa bastante espaço aberto para uma continuação, com muitos pontos abertos e potenciais enredos.

No fim, a terceira temporada de “Com Carinho Kitty” não fala sobre acertar, mas sobre lidar com o erro. E talvez a pergunta não seja se estamos preparados para a realidade, mas se estamos dispostos a abrir mão da versão perfeita dela.

Por Hillary Lima.