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imagem para ilustrar o texto sobre Cobra Kai. imagem para ilustrar o texto sobre Cobra Kai.

Cobra Kai – 6ª temporada: mantendo o legado vivo

Em sua última luta, Cobra Kai entrega um final digno de novela do horário nobre.

Cobra Kai nunca foi um primor de série, nem mesmo em seus momentos mais inspirados. Mas é inegável que, de todos os produtos que surgiram por conta da nostalgia nos últimos anos, é o que melhor soube suportar o peso do legado e ainda mantê-lo vivo para uma nova geração de fãs. Além disso, também soube entregar um final digno para um dos grandes sucessos da Netflix, algo que muitas produções maiores e mais bem avaliadas não conseguiram. Com ares de filmes dos anos 1980, evocando assim o espírito de Karatê Kid, “Cobra Kai” dá uma aula de emoção e cafonice em seus últimos episódios.

O que poderia ser apenas uma extensão da rivalidade entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), termina como uma jornada de evolução e amadurecimento de antigos e novos personagens. Mesmo com os diversos tropeços pelo caminho, a novela de caratê favorita de todos sabe como se aproveitar dos clichês narrativos. Ao longo de suas seis temporadas, “Cobra Kai” soube se atualizar sem perder a essência. Se os jovens cresciam na tela, a audiência também amadurecia do lado de cá. Mas o sentimento bom de acompanhar velhos conhecidos em suas vitórias e derrotas nunca se perdeu. Por mais que os roteiros insistissem em manter a trama girando sem sair do lugar, até mesmo durante a última temporada.

Ao transferir a trama do Vale para Barcelona, a ambição dessa história ganhou novos contornos. Esse escopo maior fez com que os defeitos da escrita se tornassem ainda mais evidentes. Afinal de contas, existe um limite até onde se pode ignorar falhas apenas pelo sentimentalismo. Por sorte, tudo termina aonde começou, numa decisão poética para concluir os arcos dos personagens principais. A decisão da Netflix em dividir a última temporada em três partes foi estranha, mas se mostrou coerente diante da carga emocional dos últimos capítulos. Como toda boa novela, “Cobra Kai” guardou o melhor para o fim.

Cobra Kai: entre socos, chutes e reflexões

Os dramas da adolescência se mesclam com as incertezas da vida adulta enquanto alunos e mestres lidam com seus problemas através das artes marciais. Existe uma quantidade assustadora de diálogos motivacionais entre cada soco e chute? Sem dúvidas. A coreografia das lutas permaneceram duvidosas até o último momento? Também. Porém, isso perde a importância quando Miguel (Xolo Maridueña) surge com o quimono do Cobra Kai mais uma vez, ou quando John Kreese (Martin Kove) encerra sua breve jornada de redenção num momento poderoso ao lado de Johnny. E o que falar de Daniel e Johnny juntos na última luta? É esse charme aparentemente despretensioso que mantém o equilíbrio entre drama e humor.

Mas se “Karatê Kid” foi a jornada de Daniel, “Cobra Kai” pertence a Johnny. Impressionante como Zabka se entregou ao papel de sua vida, cativante do primeiro até o último momento. Seu arco de redenção é emocionante: um ex-bêbado fracassado que, ao enfrentar os fantasmas do passado, finalmente encontra paz no presente. Posso soar repetitivo, mas nada é mais novelesco do que isso. O homem que não tinha nada encerra seu arco repleto de pessoas que o amam, moldando o caráter de jovens para que não cometam os mesmos erros que ele.

Sem deixar pontas soltas e arcos em aberto, a série trata todos os personagens com respeito no final. Pode não ter sido o melhor programa do mundo, mas foi o melhor no que se propôs a fazer. E por mais que “Karatê Kid” esteja de volta aos cinemas esse ano, ninguém pode se esquecer da maior verdade de todas: Cobra Kai nunca morre!