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Análise e Explicação de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos com Emma Stone e Jesse Plemons Análise e Explicação de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos com Emma Stone e Jesse Plemons

Bugonia: um espelho da nossa era e das subculturas extremistas

Yorgos Lanthimos é um dos cineastas mais proeminentes da atualidade. O diretor encontrou seu lugar em filmes estranhos para pessoas de gosto peculiar e, apesar de dividir opiniões da crítica especializada, a cada lançamento novas discussões surgem. Com Bugonia, sua mais nova parceria com Emma Stone, não deve ser diferente. Desta vez, Lanthimos decide abordar uma polêmica geracional: as teorias conspiratórias impulsionadas pela internet. Mas será que seu texto consegue retratar bem essa questão?

A trama de Bugonia

A sinopse é a seguinte: “Em Bugonia, dois homens obcecados por teorias da conspiração, Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbis), acreditam que a poderosa CEO Michelle Fuller (Emma Stone) não é humana, mas uma alienígena com planos de destruir a Terra. Convencidos dessa ameaça, eles a sequestram para forçá-la a confessar sua verdadeira natureza.” O filme acerta ao abordar com tom cômico situações de extremo perigo envolvendo o escalonamento dessas teorias, um triste reflexo da atualidade que, mesmo alarmante, não perde a graça. A dinâmica entre Jesse Plemons e Aidan Delbis é um dos pontos fortes do longa; a crise pós-capitalista em que seus personagens se encontram deixa claro que mentes traumatizadas tendem a criar realidades absurdas para não sucumbirem ao mundo real.

Assim como seus protagonistas, o jogo de câmera do filme parece seguir um rígido esquema pré-estabelecido, com personagens sempre centralizados sob lentes grande-angulares, criando composições que reforçam o aprisionamento e o desconforto situacional da trama. As cores escolhidas também são interessantes: tons terrosos e amarelos normalmente remetem ao conforto, mas aqui, pela textura desgastada e pelo acúmulo de elementos, evocam uma sensação de sufocamento. Tudo ao redor dos protagonistas nos faz sentir em um lugar que já teve alegria, mas que agora só abriga melancolia e desespero. Lanthimos brinca ainda com elementos das próprias teorias da conspiração; a escolha de letterings animados sobre uma terra plana para demarcar os capítulos do filme é de um bom gosto tremendo, e ao levar uma premissa tão absurda às últimas consequências, cria-se um tom irônico adoravelmente incômodo. Nesse sentido, o filme só tropeça quando decide se levar sério demais ou parecer sofisticado além do necessário.

O roteiro de Will Tracy às vezes peca pelo excesso de “dicas” que desenvolve e pela insistência em bater na mesma tecla. Em certos momentos, o filme parece querer criar analogias, mas acaba praticamente entregando o final do enredo. A narrativa demonstra preocupação em desenvolver o clássico conflito de classes e faz isso ao explorar as pequenas demonstrações de poder que revelam por que os mais ricos dominam os mais pobres. O diretor não é sutil ao comentar as dicotomias entre quem está no topo e quem permanece por baixo.

Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos com Emma Stone e Jesse Plemons - FINAL EXPLICADO

A condução da direção leva a trama a caminhos cada vez mais bizarros. A estranheza é parte crucial da experiência e, em determinado ponto, o roteiro não tem mais alternativas: ou descamba para o absurdo e o nonsense, ou segue por um viés mais realista, esvaziando-se de qualquer senso de surpresa. A escolha gera incômodos; a mudança de tom é interessante, mas inevitável, e por vezes dá a impressão de funcionar como um tapa-buracos para conceitos plantados apenas para prender o público. A mensagem final é clara, mesmo que Lanthimos, nas cenas derradeiras, pareça quase dar uma aula sobre sua própria visão de mundo.

No fim, Bugonia funciona como um espelho da nossa era e das subculturas extremistas que abraçam uma juventude sem esperanças, e o reflexo que ele devolve é tão incômodo quanto real.

Por Tiago Maia.