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Bob Odenkirk em anônimo 2 Bob Odenkirk em anônimo 2

Anônimo 2: um retorno irregular para Hutch Mansell

Bob Odenkirk volta como o assassino Hutch

Em 2015, John Wick popularizou o estilo de luta conhecido como “gun fu” – uma mistura de artes marciais com armas de fogo. O sucesso inaugurou uma espécie de subgênero dentro do cinema de ação, com vários filmes sendo vendidos como “o novo John Wick”. Em 2021, “Anônimo” seguiu essa linha, mas trouxe um diferencial: um protagonista de meia-idade interpretado por Bob Odenkirk, o eterno Saul Goodman de “Breaking Bad” e “Better Call Saul”. O filme foi bem recebido, abrindo espaço para uma sequência, e quatro anos depois temos Anônimo 2. Mas será que este novo capítulo tem fôlego para sustentar uma franquia?

Na trama, Hutch Mansell (Bob Odenkirk), um assassino workaholic, decide levar a família para férias na pequena cidade turística de Plummerville. O que deveria ser um descanso logo se transforma em pesadelo quando ele entra na mira de um operador corrupto de parque temático, um xerife suspeito e um chefe do crime sanguinário. A partir dessa premissa, o filme entrega boas sequências de ação logo de início, garantindo diversão para os fãs do gênero.

A direção é de Timo Tjahjanto, cineasta indonésio conhecido por seu estilo autoral em filmes de ação como “A Noites Nos Persegue” e “Headshot”. Embora imprima uma boa visão visual e algumas lutas criativas, sua liberdade parece ter sido limitada, o que torna a trama menos instigante do que poderia.

Assim como os clássicos brucutus dos anos 1980, “Anônimo 2” começa apostando em uma narrativa simples e funcional. Os conflitos são estabelecidos sem complicação, mas, a partir da metade, surgem vilões e subtramas desinteressantes, que parecem improvisadas e rasas. Essa queda na qualidade do texto se reflete nas próprias lutas: inicialmente intensas e até “sujas”, lembrando filmes ousados como “Carter” (2022), mas que depois caem no piloto automático, com uso excessivo de CGI mal acabado e coreografias menos inspiradas.

Anônimo 2 tem elenco carismático, mas com deslizes

O elenco conta com bons nomes. Bob Odenkirk mantém o carisma como protagonista, ao lado de Connie Nielsen, que vive sua esposa, e Christopher Lloyd, que rouba a cena mesmo em participação breve como o pai fanfarrão de Hutch. Porém, a grande vilã, interpretada por Sharon Stone, decepciona: unidimensional, sem impacto narrativo e com uma atuação exagerada que gera mais constrangimento do que tensão.

“Anônimo 2” tenta explorar temas como nostalgia, traumas familiares e a relação entre trabalho e convivência. No entanto, o ritmo exageradamente frenético e cheio de piadas atrapalha, não permitindo que essas discussões ganhem profundidade. O clímax, por sua vez, é irregular: além de sequências escuras e confusas, algumas ações dos personagens soam incoerentes, como se fossem soluções preguiçosas para evitar decisões narrativas mais ousadas.

Tecnicamente, o filme tem méritos. A fotografia de Callan Green é boa, e destaca bem os ambientes com luzes fortes e busca uma estilização quase psicodélica em algumas sequências. A movimentação de câmera na primeira metade também contribui para a sensação de caos, mas essa qualidade não se mantém até o fim.

No geral, “Anônimo 2” diverte, tem boas sequências de ação e um dos melhores protagonistas de filmes de ação atuais. Porém, a irregularidade do roteiro, o desperdício de elenco e o clímax desinteressante fazem o filme ser apenas mais uma sequência sem a força necessária para firmar uma franquia sólida.  

Por Tiago Maia.