Nomes conhecidos no elenco nem sempre significa boas histórias, ou mesmo garantia de alcance global de determinada obra. A Seita (Berlin Nobody, 2024), dirigido e roteirizado por Jordan Scott (Sedução), traz em seu cast Eric Bana e Sadie Sink num suspense com temas atuais e premissa inicialmente interessante.
A trama acompanha Ben Monroe (Bana), um psicólogo social norte americano renomado vivendo na Alemanha após um processo de separação, até que ele passa a acompanhar a convite da polícia um bizarro caso de suicídio coletivo, indicando a operação de algum tipo de seita. Enquanto isso, sua filha (Sink) vem dos EUA para passar um tempo com ele, mas assuntos mal resolvidos colocarão sua relação (e a segurança da filha) em cheque.
Vou começar a falar mal
O roteiro de A Seita, coassinado por Nicolau Hogg, é um bom exemplo de que possuir todos os ingredientes não garante um prato bem feito. Temos a relação maculada entre pai e filha, temos uma seita, temos fatos horripilantes e mal explicados… só não temos uma boa história.
Eric Bana está fazendo seu básico para o papel, mas acaba devendo talvez por culpa do texto, afinal, o que explica um profissional internacionalmente renomado ser um pai tão desatento com a filha em questões condizentes à sua área? O sucesso recente da série Indomável (na qual ele vive o protagonista) deve atrair olhares curiosos para A Seita conforme sua estreia na HBO Max, e suponho que muitos ficarão decepcionados.

Sadie Sink, famosa pela série Stranger Things da Netflix, sofre do mesmo mal. Um destaque positivo vai para a atuação de Sílvia Hoeks (Blade Runner 2049), que interpreta a policial Nina de um modo bastante convincente até o plot twist da trama se concretizar.
Chama atenção é a tal seita que dá o título no Brasil ao filme. Tendo como líder uma legítima picareta (vivida por Sophie Rois) que induz seus seguidores ao sacrifício no momento a ela conveniente, o grupo desperta curiosidade do espectador pelo desprendimento que esses personagens tem com a própria vida – algo pouco justificado em tela.
Veneram a natureza acima de tudo e de todos, buscando uma reconexão entre homem e selva e recrutam novos membros a partir de vulnerabilidades emocionais, ponto até coerente dentro dos padrões de uma seita. Porém, conforme precisa se aprofundar e encaixar suas peças, a história fica em falta ou mal feita.
A má qualidade acaba tomando ares cômicos conforme vemos se formando – mesmo que não intencionalmente – um discurso que ridiculariza a discussão mais profunda de pautas ambientais, classificando a luta de quem se engaja como coisa de vagabundos e/ou alienados por líderes com segundas intenções. Posso estar exagerando, mas não é culpa minha se o filme é tão ruim.
Crítica: vale à pena assistir A Seita?
Recomendamos fortemente que você busque outras sessões que não esta. Estrelado por Eric Bana temos atualmente um ótimo desempenho do ator em Indomável, como já citamos. Para curtir Sadie Sink em tela, rever toda a saga Stranger Things é uma boa para se preparar para a última temporada que chega em breve (ela estreia a partir da 2ª temporada). Fuja desta Seita – você merece coisa melhor.
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