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Montagem de “Jurassic World Recomeço” Montagem de “Jurassic World Recomeço”

Jurassic World Recomeço falha em justificar sua existência

Na mais recente tentativa de reviver a franquia, Jurassic World Recomeço falha em justificar a própria existência. Ao contrário do que sugere seu título, o filme não traz nenhum renascimento — apenas confirma que a série está cada vez mais distante da magia que um dia a tornou especial. Enquanto tenta provocar o público com a pergunta “ainda nos importamos com dinossauros?”, a resposta involuntária que oferece é: “difícil se importar com algo tão mal executado”.

Dirigido por Gareth Edwards (Godzilla, Rogue One, Resistência) e com roteiro de David Koepp (co-roteirista do clássico Jurassic Park), “Recomeço” tropeça justamente por não entender sua identidade. Não consegue ser um tributo digno ao primeiro filme, não inova como os longas da era “World”, e acaba como uma experiência genérica, que poderia muito bem pertencer a qualquer outra franquia de monstros esquecíveis.

Jonathan Bailey, Mahershala Ali e Scarlett Johansson lideram um elenco competente, mas que luta contra personagens mal escritos e um enredo que falha em engajar. As boas atuações acabam soterradas em diálogos artificiais e motivações rasas, tornando difícil se importar com o destino de qualquer um em tela.

Jurassic World: Recomeço tem trilha sonora pelo premiado Alexandre Desplat
Jonathan Bailey e Scarlett Johansson. Crédito: Divulgação

Poucos acertos, muitas decisões questionáveis em Jurassic World Recomeço

Os problemas começam cedo. A prometida “volta às raízes” rapidamente se revela uma estratégia de marketing vazia. Os dinossauros, que deveriam resgatar o fascínio pelo realismo pré-histórico, aparecem com designs exagerados, mais próximos de criaturas de Godzilla do que dos animais assustadores do clássico de 1993. A narrativa, que deveria ser simples e envolvente, acaba previsível e confusa — estabelece seus objetivos rapidamente, mas sem gerar tensão ou curiosidade genuína.

A nostalgia, tão explorada em outras franquias, é aqui mal utilizada. Referências ao primeiro “Jurassic Park” são jogadas de forma aleatória, sem construir qualquer conexão emocional real. Enquanto o filme original nos fazia acreditar que aqueles animais poderiam existir, “Jurassic World Recomeço” trata os dinossauros como meros obstáculos em sequências de ação — e nem essas funcionam plenamente, já que a falta de desenvolvimento dos personagens faz com que pouco importe quem vive ou morre.

Há, é claro, alguns momentos que lembram o que essa franquia já foi. A sequência de abertura tem um clima de terror eficaz, provando que Edwards sabe criar atmosfera quando tem espaço para isso. As cenas de ação são coreografadas com competência, mesmo que sem originalidade. E o elenco, especialmente Mahershala Ali, tenta trazer humanidade a um roteiro que não os ajuda.

Mas esses momentos positivos se perdem diante de escolhas inexplicáveis. A subtrama da família (com David Iacono e Manuel Garcia-Rulfo) é tão mal desenvolvida que parece vinda de outro filme. O tema central — a ideia de que o mundo se cansou de dinossauros — soa contraditório, especialmente em uma produção que não oferece nada de novo para reacender esse interesse. E o clímax, com seu inevitável “dinossauro geneticamente modificado”, descamba para o exagero e beira a paródia involuntária.

D-Rex em Jurassic World: Recomeço
D-Rex. Crédito: Divulgação

“Jurassic World: Recomeço” é o tipo de filme que faz o público se perguntar como uma franquia tão amada chegou a esse ponto. Não é ruim o suficiente para ser divertido de tão absurdo, nem bom o bastante para justificar sua existência. É apenas… mais um produto de entretenimento genérico, que parece ter sido montado por algoritmo, reunindo peças desconexas de outros filmes sem entender o que as tornou especiais.

Para fãs hardcore, haverá alguns momentos divertidos — mas nenhum que compense o sentimento predominante de decepção. Para todos os outros, talvez seja mais fácil simplesmente reassistir ao original e lembrar como essas histórias já foram especiais. O filme pergunta se ainda nos importamos com dinossauros. Depois dessa experiência, a resposta pode ser: cada vez menos.

“Jurassic World Recomeço” chega nesta quinta-feira, dia 3 de julho, nos cinemas.